As tatuagens podem influenciar a forma como o corpo reage a doenças, sugerem novos dados científicos. Investigadores da Università della Svizzera italiana analisaram a toxicidade das tintas mais comuns — preto, vermelho e verde — e concluíram que os pigmentos não permanecem apenas na pele: viajam pelo organismo e acumulam-se no sistema imunitário durante anos.
O estudo, publicado na PNAS, revela que estas partículas ficam retidas em células imunitárias, como os macrófagos, que não conseguem degradá-las. Isso causa inflamação prolongada e pode enfraquecer as defesas do corpo. As tintas vermelha e preta foram as que provocaram efeitos mais fortes.
Em experiências com ratos, os pigmentos deslocaram-se rapidamente para os gânglios linfáticos. Após a tatuagem, os animais mostraram uma resposta mais fraca à vacina da COVID-19 — embora a reação a uma vacina contra a gripe tenha aumentado. Os cientistas alertam que estes resultados precisam de ser confirmados em humanos.
A Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro também está a estudar possíveis impactos a longo prazo, incluindo ligações a linfomas e outros cancros.
Com até 40% dos adultos abaixo dos 40 anos tatuados na Europa e EUA, os investigadores alertam que a segurança das tintas é cada vez mais um tema relevante de saúde pública. Desde 2022, a UE regula os pigmentos usados através do regulamento REACH.