O Presidente da República, José Maria Neves, condecorou Cristina Duarte e Helena Semedo com a Ordem do Dragoeiro, Primeiro Grau, em reconhecimento pelo contributo ímpar que ambas deram ao prestígio e à afirmação internacional de Cabo Verde, bem como pela excelência e integridade com que serviram o desenvolvimento humano e sustentável do país.
A distinção foi entregue durante uma cerimónia realizada no Palácio da Presidência da República, integrada nas comemorações dos 50 anos da Independência Nacional. Na ocasião, o Chefe de Estado destacou o percurso das duas antigas governantes e altas responsáveis das Nações Unidas, considerando-as referências nacionais e internacionais e exemplos inspiradores para as novas gerações.
“Este é um momento importante ao qual devemos dar a devida importância”, afirmou José Maria Neves, sublinhando que a homenagem representa um dever de memória, gratidão e inspiração para o futuro. Segundo o Presidente, Cristina Duarte e Helena Semedo simbolizam o compromisso, a competência e a capacidade dos cabo-verdianos de se destacarem nos mais elevados palcos internacionais.
Ao referir-se a Cristina Duarte, o Chefe de Estado enalteceu o trabalho desenvolvido enquanto Ministra das Finanças, destacando “as suas ideias, coragem, ousadia e profundas reformas estruturais”, que contribuíram para o equilíbrio dos fundamentos da economia cabo-verdiana e abriram caminho à transformação económica do país. Destacou ainda a sua trajetória internacional, atualmente como Subsecretária-Geral das Nações Unidas e Assessora Especial do Secretário-Geral para os Assuntos Africanos.
Por sua vez, Helena Semedo foi reconhecida pelo percurso no Governo de Cabo Verde, onde assumiu pastas estratégicas como Agricultura, Pescas, Transportes, Turismo e Mar, bem como pelo trabalho desenvolvido na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO. “Também mais uma referência, mais uma fonte de inspiração para as mulheres e para a juventude”, declarou o Presidente.
Durante o discurso, José Maria Neves associou o sucesso das duas condecoradas ao atual momento de projeção internacional vivido por Cabo Verde através da Seleção Nacional de Futebol. Recordando a histórica qualificação dos Tubarões Azuis para a Copa do Mundo, afirmou que o feito constitui “uma gesta extraordinária” e um fator de união dos cabo-verdianos residentes nas ilhas e na diáspora.
“O mais importante dos Tubarões Azuis é o facto de serem um fator de união de todos os cabo-verdianos”, declarou. O Presidente defendeu ainda que o mesmo espírito de excelência e superação deve ser replicado em áreas como a saúde, a educação e os transportes. “Se conseguirmos ter Tubarões Azuis na área da saúde, na área da educação e na área dos transportes, poderemos competir com os melhores do mundo”, acrescentou.
O Chefe de Estado evocou igualmente o reconhecimento internacional que Cabo Verde tem recebido, citando as palavras do Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, e do treinador da seleção das Bermudas, que apontaram a trajetória cabo-verdiana como exemplo de inspiração para outros pequenos Estados.
A cerimónia serviu ainda para uma reflexão sobre os desafios globais e o papel dos Pequenos Estados Insulares no atual contexto internacional. José Maria Neves alertou para aquilo que considera ser uma crise do multilateralismo e um “retrocesso civilizacional”, marcado pela crescente desumanização das relações internacionais.
“O facto destas duas senhoras trabalharem no sistema das Nações Unidas, contribuindo para o reforço do multilateralismo, do diálogo e da solução negociada dos conflitos, permite-nos compreender a verdadeira dimensão do seu contributo”, afirmou.
A condecoração, formalizada pelo Decreto Presidencial n.º 08/2025, de 25 de março, constitui, segundo o Presidente da República, uma homenagem não apenas a Cristina Duarte e Helena Semedo, mas também a todos os cabo-verdianos que contribuíram para o engrandecimento do país ao longo dos 50 anos da Independência.
“Temos de ser gratos e expressar esse dever de gratidão. Temos de continuar a iluminar os caminhos das novas gerações e a defender o multilateralismo, o diálogo e o respeito entre as nações”, concluiu José Maria Neves.