África: Mais de 600 milhões de africanos ainda sofrem de doenças tropicais negligenciadas

A Professora Awa Marie Coll Seck lançou esta quarta-feira um forte apelo à acção durante a sessão inaugural do Fórum da Rede de Meios Africanos para a Promoção da Saúde e Ambiente (REMAPSEN), sublinhando que as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) continuam a afectar mais de 600 milhões de pessoas no continente africano.

“As ETD cegam, desfiguram e incapacitam milhões, sobretudo os mais pobres e isolados, apesar de existirem meios de prevenção, tratamento e até eliminação”, afirmou, defendendo que combater estas doenças é “um imperativo africano” para a soberania sanitária e o desenvolvimento sustentável.

A especialista e ex-ministra da Saúde recordou que estas doenças – como a oncocercose, esquistossomíase, filaríase linfática ou dracunculíase – representam muito mais do que um desafio médico. Têm impacto profundo na produtividade, na educação e na capacidade das famílias escaparem à pobreza, além de evidenciarem fragilidades estruturais nos serviços de água, saneamento, vigilância epidemiológica e cuidados primários de saúde.

O fórum também realçou avanços importantes alcançados em vários países africanos. Doenças como a dracunculíase estão prestes a ser erradicadas, enquanto Gana, Togo e Malawi já eliminaram o tracoma, e Togo tornou-se o primeiro país africano a eliminar a filaríase linfática. No Senegal, vários focos históricos de oncocercose foram suprimidos.

Apesar dos sucessos, persistem desafios significativos, incluindo a baixa visibilidade política das DTN, a redução de financiamento após a saída de alguns doadores e sistemas de água e saneamento insuficientes. Awa Marie Coll Seck defendeu que reforçar a cooperação transfronteiriça, investir em abordagens integradas de “Uma Só Saúde” e garantir financiamento sustentável são passos essenciais para que o continente possa, finalmente, eliminar doenças que há décadas comprometem o bem-estar e o desenvolvimento de milhões de africanos.

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