As mulheres são responsáveis por cerca de 62% do processamento da pesca na América Latina, mas continuam sub-representadas nos espaços de liderança e tomada de decisão do setor. O tema esteve em destaque num encontro regional promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, que debateu os desafios enfrentados pelos trabalhadores das pescas artesanais na região.
Durante o encontro, especialistas e representantes comunitários defenderam maior reconhecimento do papel feminino nas economias ligadas à pesca artesanal. Segundo a especialista em género da FAO, Claudia Brito, as mulheres desempenham funções essenciais enquanto gestoras de ecossistemas, transmissoras de saberes tradicionais e impulsionadoras das economias locais.
Além do trabalho no processamento da pesca, muitas mulheres participam ativamente na preservação ambiental, especialmente na conservação de mangais, fundamentais para a biodiversidade marinha.
Apesar da importância económica e social do seu trabalho, persistem vários obstáculos à participação feminina no setor. Entre os principais desafios apontados estão a falta de dados estatísticos desagregados por sexo, o acesso limitado aos mercados formais, a presença reduzida de mulheres nos órgãos de governança e a sobrecarga de tarefas domésticas.
A FAO considera que a recolha de dados mais detalhados e a criação de políticas públicas inclusivas serão fundamentais para garantir maior igualdade no sector das pescas.