A cobertura vacinal infantil a nível global continua a registar avanços lentos e a situar-se abaixo dos níveis registados antes da pandemia de COVID-19. Segundo os dados anuais divulgados a 15 de julho de 2026 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela UNICEF, embora o número de crianças que não receberam qualquer vacina (as chamadas “zero doses”) tenha caído em cerca de 750 mil em 2025, o progresso é severamente comprometido pelas elevadas taxas de abandono do esquema vacinal a meio do processo.
Os dados revelam que, em 2025, aproximadamente 90% dos bebés em todo o mundo receberam a primeira dose da vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa (DTP), mas apenas 85% completaram o esquema de três doses. O maior motivo de preocupação prende-se com a vacinação contra o sarampo: a cobertura da primeira dose fixou-se nos 84% e a da segunda nos 77%. Estes valores encontram-se significativamente abaixo do limiar de 95% necessário para garantir a imunidade de grupo, o que resultou em surtos graves de sarampo em 57 países durante o último ano.
As agências internacionais apontam os conflitos armados, as crises humanitárias, a pobreza e a instabilidade política como os principais entraves à vacinação nas regiões mais vulneráveis, como em África e no Médio Oriente. No entanto, o retrocesso não se limita aos países em desenvolvimento. Em várias nações de rendimento médio e alto, onde o acesso às vacinas é pleno, a cobertura vacinal está a diminuir devido a falhas estruturais, à falta de compromisso político e ao crescimento da hesitação vacinal alimentada pela desinformação.
Perante este cenário, a OMS, a UNICEF e a Gavi (Aliança de Vacinas) alertam para o risco iminente de novos surtos e de mortes evitáveis, agravado por recentes cortes no financiamento internacional e pela fragilização dos sistemas de monitorização de dados. Para inverter esta trajetória e cumprir as metas da Agenda de Imunização 2030, as organizações apelam aos governos mundiais para que reforcem o investimento nos programas de vacinação, melhorem a segurança em zonas de conflito e combatam ativamente a propagação de informações falsas sobre a saúde.