Um estudo de longo prazo divulgado pela Academia Americana de Neurologia concluiu que mulheres que seguem rigorosamente a dieta mediterrânica apresentam um risco significativamente menor de acidente vascular cerebral (AVC). A investigação, publicada a 4 de fevereiro na revista Neurology Open Access, acompanhou mais de 100 mil mulheres ao longo de, em média, 21 anos, identificando uma associação consistente entre este padrão alimentar e a redução do risco de AVC, tanto isquémico como hemorrágico.
O estudo envolveu 105.614 mulheres, com idade média de 53 anos e sem histórico prévio de AVC. As participantes responderam a questionários alimentares detalhados e receberam uma pontuação de zero a nove consoante a proximidade da sua alimentação às directrizes da dieta mediterrânica, caracterizada pelo elevado consumo de vegetais, frutas, leguminosas, cereais integrais, peixe e azeite, e pela redução de carne vermelha, lacticínios e gorduras saturadas.
Durante o período de acompanhamento, registaram-se 4.083 AVC, dos quais 3.358 isquémicos e 725 hemorrágicos. Após ajustamento para factores como tabagismo, actividade física e hipertensão, as mulheres com pontuações mais elevadas na dieta apresentaram menos 18% de probabilidade de sofrer qualquer tipo de AVC. O risco de AVC isquémico foi 16% inferior e o de AVC hemorrágico — menos estudado — foi 25% mais baixo em comparação com o grupo com pior adesão alimentar.
Segundo a investigadora principal, Sophia S. Wang, do City of Hope Comprehensive Cancer Center, os resultados reforçam a importância de uma alimentação saudável na prevenção do AVC, uma das principais causas de morte e incapacidade. Ainda assim, os autores alertam que o estudo demonstra uma associação, e não uma relação directa de causa-efeito, além de reconhecerem como limitação o facto de os dados alimentares terem sido auto-reportados pelas participantes.