O índice de preços de alimentos da FAO voltou a registar uma queda em janeiro, marcando o quinto mês consecutivo de recuo, impulsionado pela diminuição dos preços internacionais de produtos lácteos, açúcar e carne, anunciou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
O FAO Food Price Index, que acompanha mensalmente a evolução dos preços de um cabaz de produtos alimentares comercializados globalmente, atingiu 123,9 pontos em janeiro, representando uma descida de 0,4% face ao mês anterior e 0,6% abaixo do valor registado há um ano.
No detalhe por grupo de produtos, os cereais registaram uma ligeira subida de 0,2%, com stocks globais a compensar preocupações climáticas em países como Rússia e Estados Unidos. O arroz subiu 1,8%, impulsionado pela procura de variedades aromáticas. O FAO Vegetable Oil Price Index aumentou 2,1%, refletindo a escassez de óleo de girassol no Mar Negro e uma procura firme de óleo de palma e soja. Já os laticínios caíram 5%, devido à abundância de queijo e manteiga, e o açúcar recuou 1%, em linha com as expectativas de aumento de produção na Índia, Tailândia e Brasil.
A FAO destacou ainda que a produção global de cereais em 2025 deve atingir 3 023 milhões de toneladas, com colheitas recorde de trigo, grãos grossos e arroz. Com o aumento previsto da produção e dos stokcs, a relação global entre estoques e consumo deverá atingir 31,8%, o nível mais elevado desde 2001, refletindo uma margem de segurança histórica para os mercados mundiais de alimentos.
Apesar da estabilidade nos preços, a FAO alerta que o cenário atual resulta de condições favoráveis temporárias, como boas colheitas e cadeias de fornecimento eficientes, e não elimina a vulnerabilidade estrutural dos mercados alimentares a choques futuros.