Um medicamento inovador para reduzir o colesterol pode vir a mudar a forma como se previnem as doenças cardiovasculares. Um estudo divulgado a 30 de março de 2026 por investigadores do Mass General Brigham revela que o evolocumab diminui em 31% o risco de primeiros enfartes e acidentes vasculares cerebrais em pessoas com diabetes de alto risco, mesmo antes de existir doença arterial diagnosticada.
Até agora, terapias mais intensivas para baixar o colesterol eram sobretudo aplicadas a doentes com problemas cardiovasculares já identificados. No entanto, os resultados apresentados na reunião anual do American College of Cardiology e publicados na JAMA sugerem que a intervenção precoce pode ser determinante para evitar eventos graves.
A investigação baseou-se numa análise do ensaio clínico VESALIUS-CV, que acompanhou 3.655 doentes com diabetes de alto risco, mas sem sinais de aterosclerose. Os participantes receberam injeções de evolocumab de duas em duas semanas ou um placebo, mantendo os tratamentos habituais, como estatinas. Ao fim de 48 semanas, verificou-se uma redução de cerca de 51% nos níveis de colesterol LDL, conhecido como “mau”, nos doentes tratados.
Durante um período de acompanhamento de quase cinco anos, os resultados mostraram uma diminuição significativa de eventos cardiovasculares graves. Apenas 5% dos doentes que receberam o medicamento sofreram enfarte, AVC ou morte por doença coronária, comparando com 7,1% no grupo placebo.
Os investigadores destacam ainda que o tratamento foi, de forma geral, bem tolerado, com efeitos adversos semelhantes nos dois grupos. Apesar do potencial, sublinham a necessidade de novos estudos para perceber se estes benefícios se aplicam a outros grupos de risco, reforçando a importância da prevenção precoce numa das principais causas de morte a nível mundial.