Molécula descoberta com ajuda de inteligência artificial reduz apetite em 50% e pode abrir caminho para alternativa ao Ozempic

Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, identificaram uma molécula natural que poderá abrir caminho para uma nova geração de tratamentos contra a obesidade. Designada BRP, a substância demonstrou capacidade para reduzir o apetite e promover a perda de gordura em experiências com animais, apresentando resultados que poderão permitir desenvolver um tratamento semelhante ao Ozempic, mas com menos efeitos secundários.

A descoberta foi possível graças à inteligência artificial, utilizada para analisar milhares de possíveis compostos biológicos e identificar substâncias com potencial para regular o apetite e o metabolismo. A molécula BRP actua de forma diferente da semaglutida, princípio activo do Ozempic, parecendo actuar especificamente no hipotálamo, região do cérebro responsável pelo controlo da fome e de várias funções metabólicas.

Nos testes laboratoriais, os investigadores analisaram 100 péptidos e identificaram a BRP, constituída por apenas 12 aminoácidos, que aumentou dez vezes a actividade das células nervosas em comparação com os níveis registados nas células de controlo. Posteriormente, experiências realizadas em ratinhos e pequenos porcos demonstraram que os animais tratados consumiram até menos 50% de alimentos durante a hora seguinte à administração da molécula. Num ensaio de 14 dias, ratinhos obesos tratados diariamente perderam, em média, três gramas, enquanto os animais que não receberam o tratamento ganharam aproximadamente três gramas. A perda de peso ocorreu sobretudo à custa da gordura corporal, com preservação quase total da massa muscular.

Outro resultado considerado promissor foi a ausência de alterações significativas em indicadores como a actividade física, o consumo de água, os comportamentos associados à ansiedade e a produção de fezes. Estes dados levantam a possibilidade de a BRP evitar alguns efeitos secundários associados aos medicamentos à base de semaglutida, nomeadamente a obstipação e determinados problemas digestivos. Os animais tratados também apresentaram melhorias na tolerância à glucose e à insulina.

Apesar dos resultados, os investigadores alertam que a molécula ainda se encontra numa fase inicial de desenvolvimento e que a sua eficácia e segurança em seres humanos não estão demonstradas. Os próximos trabalhos deverão identificar os receptores celulares através dos quais a BRP actua e desenvolver formas de prolongar a sua actividade no organismo. Só depois de realizados ensaios clínicos será possível determinar se poderá constituir uma alternativa aos actuais medicamentos para a obesidade.

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