OMS lança indicadores para avaliar os efeitos do calor extremo em grávidas, bebés e crianças

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou o primeiro conjunto de indicadores destinado a ajudar os países a medir os efeitos do calor extremo na saúde das mulheres grávidas, dos recém-nascidos e das crianças. Divulgada a 23 de Outubro, a iniciativa pretende melhorar a vigilância dos riscos associados às temperaturas elevadas e reforçar a capacidade de resposta dos sistemas de saúde perante o agravamento dos fenómenos climáticos extremos.

A ferramenta foi desenvolvida em colaboração com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA). Segundo a OMS, a exposição prolongada ao calor pode ter consequências para a saúde desde a gravidez até à infância, tornando estes grupos particularmente vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas.

Os dados apresentados pela organização revelam a dimensão do problema. A exposição ao calor extremo está associada a um aumento de 26% na probabilidade de parto prematuro. Além disso, os bebés com menos de um ano registaram, em 2024, mais 389% de dias de exposição a ondas de calor do que no período de referência entre 1986 e 2005. A nível mundial, estima-se que 1,5 mil milhões de crianças estejam expostas a ondas de calor cada vez mais longas e intensas.

Entre os indicadores recomendados estão as taxas de partos prematuros, nados-mortos, hipertensão durante a gravidez e mortalidade infantil. Ao cruzarem estes dados com os registos meteorológicos, as autoridades poderão identificar períodos de maior risco, antecipar aumentos da procura de cuidados médicos, emitir alertas dirigidos às grávidas e reconhecer as comunidades mais expostas.

A OMS apela aos governos para que desenvolvam planos de resposta ao calor adaptados às condições de cada país, integrando medidas específicas para proteger grávidas, recém-nascidos e crianças. A iniciativa procura, assim, melhorar a recolha de dados, apoiar decisões de saúde pública e preparar os serviços de saúde para responder às consequências do aumento das temperaturas associado às alterações climáticas.

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