O avanço da inteligência artificial (IA) está a alterar profundamente as condições de trabalho em vários setores, revelam especialistas da Organização Internacional do Trabalho e da União Internacional de Telecomunicações. Desde moderadores de conteúdos que enfrentam diariamente material traumático até entregadores sujeitos a metas impostas por algoritmos, os trabalhadores expostos a sistemas automatizados enfrentam pressão crescente, ansiedade e acidentes.
Nos países do Sul Global, como a Índia, dezenas de milhares de moderadores analisam vídeos com violência, acidentes ou exploração sexual, muitas vezes sem preparação adequada e sob acordos de confidencialidade rígidos. Paralelamente, o uso de algoritmos para gerir entregas e turnos tem levado a acidentes mortais e a elevados níveis de stress entre condutores e entregadores, como demonstrou um estudo de 2025 da Universidade de Cambridge no Reino Unido, onde dois terços dos profissionais relataram ansiedade por mudanças súbitas em horários e pressão por avaliações algorítmicas.
Especialistas alertam que, embora os algoritmos aumentem eficiência, eles também reduzem a supervisão humana, podem reforçar preconceitos e pressionar os trabalhadores a tomar decisões perigosas para manter salários e bônus. A aplicação da IA em decisões de contratação, distribuição de turnos e avaliação de desempenho sem salvaguardas aumenta o risco de exploração e acidentes.
Para responder a estes desafios, a OIT e a UIT promovem iniciativas internacionais de regulação e diálogo sobre o impacto da IA no trabalho, incluindo a plataforma “IA para o Bem” e a “Coalizão Mundial para a Justiça Social”. A prioridade é assegurar que a inteligência artificial aumente o potencial humano sem comprometer a segurança, o bem-estar e os direitos laborais dos trabalhadores, defendendo uma abordagem baseada em direitos humanos, igualdade e desenvolvimento sustentável.