Um novo relatório da União Internacional de Telecomunicações (UIT) revela que a inteligência artificial (IA) está a passar de uma fase de experimentação para uma implementação cada vez mais ampla no mundo real, moldando serviços públicos, mercados e sociedades em todo o mundo.
O estudo, intitulado IA para o Bem, destaca que a tecnologia está a tornar-se mais autónoma, capaz de planear tarefas, tomar decisões e coordenar ações com menos supervisão humana, o que torna a fiscalização humana mais vital do que nunca.
Segundo o levantamento, os governos estão a tratar a IA como um ativo estratégico comparável aos sistemas energéticos, investindo em capacidade computacional nacional e definindo políticas sobre treinamento, governança e infraestrutura. Entre os avanços positivos apontados estão ferramentas de tutoria que aumentam o acesso à educação, diagnósticos médicos mais precisos, detecção precoce de doenças e sistemas climáticos que fornecem alertas para eventos extremos.
O relatório alerta, porém, para riscos ambientais e sociais. Em 2024, os data centers de IA consumiram cerca de 415 TWh de eletricidade – cerca de 1,5% do consumo global – número que poderá duplicar até 2030. Além disso, o mercado de trabalho enfrenta grandes mudanças: estima-se que 91 milhões de empregos possam desaparecer ou ser transformados até 2030, mas 170 milhões de novos cargos poderão surgir, implicando uma adaptação acelerada de trabalhadores, empregadores e sistemas educativos.
A UIT conclui que a expansão da IA exige equilíbrio entre inovação e regulação, combinando o aproveitamento dos benefícios tecnológicos com estratégias de mitigação dos impactos ambientais e sociais, garantindo que a inteligência artificial contribua de forma sustentável para o desenvolvimento global.