Angola condenou “veementemente” todos os apoios externos — militares, financeiros ou logísticos — que alimentam o conflito no Sudão, considerando que a instabilidade nas fronteiras com o Tchad, Sudão do Sul e Etiópia, bem como os riscos para a segurança do Mar Vermelho, representam uma ameaça direta à paz e segurança em África.
A posição foi expressa pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, durante a reunião do Conselho de Paz e Segurança da União Africana, realizada esta quinta-feira, 12 de fevereiro, em Adis Abeba. O chefe da diplomacia angolana manifestou preocupação com o agravamento da crise humanitária, que afeta cerca de 21 milhões de pessoas, muitas delas em situação crítica de insegurança alimentar no Darfur do Norte.
Angola defendeu um cessar-fogo imediato e verificável, acesso humanitário irrestrito e um processo político inclusivo liderado pelos próprios sudaneses. O governante apelou ainda à revitalização dos mecanismos da União Africana, incluindo o reforço do Subcomité de Sanções para travar o trânsito ilícito de armamento e a exploração ilegal de recursos naturais.
Relativamente à Somália, Téte António reiterou o apoio à soberania e integridade territorial do país, manifestando preocupação com a falta de consenso político sobre a revisão constitucional e alertando que eleições sem acordo alargado poderão gerar instabilidade. Angola defendeu igualmente o reforço das condições operacionais da missão AUSSOM, sublinhando a sua importância para a estabilização do país.
O ministro apresentou ainda condolências às famílias dos membros da missão que perderam a vida em serviço, reconhecendo o contributo dos países participantes.