Angola e Moçambique figuram entre os países com alta criminalidade e baixa resiliência ao crime organizado, segundo o Africa Organized Crime Index 2025, apresentado em Nairobi.
O relatório, elaborado no âmbito da iniciativa ENACT, avalia 54 países africanos numa escala de 1 a 10, medindo tanto a presença de redes criminosas como a capacidade dos Estados para lhes responder.
Moçambique surge entre os mais afectados do continente, com 6,63 pontos, ocupando a 8.ª posição africana na lista de criminalidade — um aumento significativo face a 2023. A resiliência baixou para 3,25, colocando o país no pior desempenho entre os lusófonos.
Angola, com 5,62 pontos de criminalidade, permanece acima do limiar de 5,5 considerado pelos especialistas como indicador de forte influência do crime organizado. A resiliência desceu para 4,21, reforçando a inclusão do país no grupo de risco.
Fora do contexto africano, o Brasil atinge 7,07 pontos, sendo o país lusófono mais afectado a nível global. Já Cabo Verde destaca-se como um dos raros exemplos africanos com baixa criminalidade (4,08) e elevada resiliência (6,54).
A analista Rumbi Matamba recordou que o índice não mede directamente a segurança pública, mas reforça que os países devem procurar posicionar-se no quadrante de baixa criminalidade e elevada resiliência para limitar o impacto das redes criminosas transnacionais.