O presidente de Angola, João Lourenço, manifestou preocupação com a nova lei dos estrangeiros em Portugal, advertindo que o país não deve tratar pior os imigrantes do que os portugueses foram tratados no estrangeiro. O chefe de Estado afirmou que há um “incómodo” crescente entre os membros da CPLP, destacando que o Brasil já se pronunciou e que Angola acompanha a situação com atenção.
Lourenço sublinhou que, embora os Estados sejam soberanos nas suas políticas migratórias, devem respeitar práticas internacionais, lembrando o passado emigrante de Portugal.
“O mínimo que exigimos é que Portugal trate com dignidade os imigrantes que escolheram o país para viver”, disse.
Este será um dos temas que levará à reunião com o Presidente da República portuguesa, onde falará em nome dos africanos residentes em Portugal.
Por outro lado, alertou ainda que todos os Estados da CPLP devem trabalhar para preservar o projeto comum, evitando tensões que o possam comprometer.
Sobre investimentos, Lourenço indicou que gostaria de ver mais empresas portuguesas nos setores produtivos em Angola, em detrimento do comércio. Também em relação ao investimento angolano em Portugal, criticou que, em alguns casos, “dinheiro do Estado foi colocado em nome de privados”, referindo-se indiretamente à empresária Isabel dos Santos.