O ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi submetido na última quinta-feira a uma cirurgia para correção de hérnias inguinais no Hospital DF Star, em Brasília, capital do país, após autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A intervenção, apontada como clinicamente necessária por avaliação médica da Polícia Federal e determinada por Moraes, decorre de quadro de dor e incómodo na região da virilha, agravado pelo historial de saúde que inclui diversas cirurgias ao longo da última década. A operação decorreu durante cerca de três horas e meia e, segundo a equipa médica, foi bem-sucedida sem complicações imediatas. O ex-chefe de Estado permanece no hospital em fase de recuperação, sob vigilância e cuidados para prevenção de trombose e controlo da dor.
Bolsonaro, de 70 anos, deixou temporariamente a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena desde novembro, para ser internado. Esta é a primeira vez que ele sai da prisão desde que foi encarcerado pelo cumprimento definitivo de uma sentença de 27 anos e três meses de reclusão imposta pela 1ª Turma do STF por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022. A autorização concedida por Moraes, relator do processo, incluiu controlo policial reforçado e regras estritas sobre equipamentos eletrónicos no quarto hospitalar, mas recusou o pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa.
A cirurgia de hérnia inguinal bilateral estava agendada e foi considerada necessária após exames detalhados que revelaram o desconforto contínuo e impacto na qualidade de vida de Bolsonaro, agravado pela situação prisional e pela pandemia de problemas de saúde a que já tinha sido submetido em anos anteriores. A internação iniciou-se na quarta-feira e a alta dependerá da evolução clínica diária, incluindo critérios de capacidade de autocuidado, como alimentação independente e mobilidade sem apoio permanente. Médicos responsáveis não descartam, caso a recuperação demonstre fragilidade persistente, recomendar à Justiça que Bolsonaro conclua parte do período de recuperação em prisão domiciliar, embora isso ainda dependa de avaliação técnica e de decisão judicial.
Durante o período em que esteve no hospital, a família teve acesso autorizado. A presença da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro foi confirmada junto ao leito, assim como visitas especiais dos filhos, após expressa autorização judicial. Em acto público pouco antes da cirurgia, o senador Flávio Bolsonaro, um dos filhos, afirmou que o pai o teria indicado como candidato à Presidência da República nas eleições de 2026. A declaração foi transmitida por carta assinada pelo ex-presidente e lida pelo senador em conferência de imprensa, marcando um momento de ligação entre o estado de saúde do pai e a estratégia política do grupo.
Recorde-se que a sentença condenatória de Bolsonaro resultou de acusações de tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral em 2022, com a restrição de liberdade a cumprir em prisão federal sob monitorização, isolamento de outros detentos e acesso controlado a visitas. A pena começou a ser cumprida a 22 de novembro e, segundo a legislação vigente, o regresso à prisão após alta hospitalar ocorrerá tão-logo a equipa médica ateste condições clínicas mínimas e seja dada nova ordem judicial para a transferência de volta à Superintendência da Polícia Federal.
Ígor Lopes