A 17ª Conferência Geral da Academia Mundial de Ciências (TWAS, na sigla em inglês) teve início na passada segunda-feira, 29 de setembro, no Rio de Janeiro, reunindo pesquisadores e autoridades de mais de 70 países para discutir inteligência artificial, mudanças climáticas e segurança alimentar. O encontro, organizado em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), segue até 2 de outubro no Hotel Windsor, celebrando os 40 anos da TWAS e marcando a primeira edição presencial desde a pandemia de Covid-19.
Com o tema “Construindo um futuro sustentável: o papel da ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento global”, a conferência busca fortalecer a cooperação científica no Sul Global e contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU. “O encontro terá como foco identificar lacunas e oportunidades em ciência, tecnologia e inovação para impulsionar o desenvolvimento global”, afirmou a presidente da TWAS, Quarraisha Abdool Karim.
Entre os participantes estão a vice-presidente da Guatemala, Karin Herrera; a diretora-geral adjunta da UNESCO, Lídia Brito; a climatologista Nana Ama Browne Klutse, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC); o cientista brasileiro Carlos Nobre, referência em estudos sobre o clima; e a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade.
A presidente da ABC e vice-presidente da TWAS para a América Latina, Helena B. Nader, destacou que o encontro ocorre em um “momento crítico” para a ciência. “Temos visto questionamentos ao valor da pesquisa, mudanças no cenário geopolítico e até abandono de evidências científicas por razões políticas. Esse debate é fundamental para reafirmar a importância da ciência para a sociedade”, disse.
A programação prevê homenagens a dois cientistas brasileiros que presidiram a TWAS e faleceram em 2024: Jacob Palis e José Israel Vargas. Também inclui a entrega do Prémio TWAS Apex 2025 ao físico Luiz Davidovich, professor emérito da UFRJ e ex-presidente da ABC, reconhecido por contribuições pioneiras em ótica e informação quântica.
Os organizadores afirmam que as discussões devem fornecer subsídios a encontros multilaterais, como a COP30, que ocorrerá este ano em Belém, capital do Pará, na região Norte do Brasil.
Ígor Lopes