Brasil decide não reconhecer presidente da Venezuela sem apresentação das atas eleitorais

Em audiência pública da Comissão de Relações Exteriores (CRE) realizada no dia 15 de agosto, o assessor-chefe especial da Presidência da República do Brasil, Celso Amorim, afirmou que o governo brasileiro reconhecerá o resultado das eleições presidenciais na Venezuela após a publicação das atas que confirmam os totais de votos para cada candidato.

Conforme o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano, o presidente Nicolás Maduro foi reeleito para um terceiro mandato com 51,95% dos votos. O candidato da oposição, Edmundo González, teve 43,18% dos votos.

As eleições na Venezuela foram realizadas no dia 28 de julho e, após o anúncio dos resultados pelo CNE na madrugada de segunda-feira, a oposição contestou a votação, apontando-a como fraude “grosseira”.

A Organização dos Estados Americanos (OEA), os Estados Unidos e a União Europeia não reconheceram o resultado e pediram a divulgação das atas eleitorais. Conforme as últimas notícias sobre pesquisas divulgadas, “mais de 92% dos venezuelanos não acreditam na reeleição de Maduro indicada pelo CNE”.

Parlamentares governistas e da oposição cobraram a definição de um prazo para que o Brasil se posicione sobre a inesperada reeleição de Maduro, no poder desde 2013.

Celso Amorim decidiu não estabelecer uma data-limite para a divulgação das atas eleitorais pelo governo venezuelano e argumentou que “na diplomacia não se estabelecem prazos”. Este responsável declarou ter questionado Nicolás Maduro sobre a divulgação das atas eleitorais. O encontro com o mandatário ocorreu um dia após o pleito. Segundo o embaixador, o presidente venezuelano afirmou que os documentos seriam apresentados “nos próximos dias”, o que não aconteceu. Amorim também recebeu o candidato oposicionista Edmundo González na Embaixada do Brasil em Caracas e classificou a sociedade venezuelana como “muito dividida”.

As eleições na Venezuela devem ser tema de outra audiência pública, ainda sem data marcada. Os parlamentares também devem ouvir o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Ígor Lopes

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