O Brasil reforçou a necessidade de cooperação entre os países emergentes para enfrentar o protecionismo e a fragmentação do comércio global.
O apelo foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Mauro Vieira, na abertura da reunião dos negociadores do BRICS, em Brasília.
Vieira alertou para o impacto da “desglobalização”, referindo que as barreiras comerciais e a reorganização das cadeias de abastecimento agravam as desigualdades globais.
“Os BRICS devem resistir a essa fragmentação e defender um sistema de comércio multilateral aberto, justo e equilibrado, que atenda às necessidades do Sul Global e promova uma economia multipolar”, afirmou.
Este é o primeiro encontro do bloco sob a presidência brasileira, que definirá a agenda para a cimeira de líderes, agendada para julho, no Rio de Janeiro. O ministro destacou a importância da recente expansão do grupo, que passou de cinco para onze membros, abrangendo quase metade da população mundial e 39% do PIB global.
Para Vieira, o BRICS deve reforçar mecanismos financeiros alternativos, como o Novo Banco de Desenvolvimento, essencial para o financiamento de infraestruturas e projetos sustentáveis.
Além disso, a presidência brasileira focar-se-á na reforma da governança global, na cooperação económica e no desenvolvimento social e ambiental.
“Ao fortalecer a cooperação no Sul Global e promover o multilateralismo, podemos construir um futuro que reflita as aspirações das nossas nações”, concluiu o ministro.
O encontro, que termina esta quarta-feira, contará com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e terminará com um resumo das discussões e propostas para o futuro do bloco.