O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, afirmou esta quinta-feira estar “animado” e otimista quanto à criação de uma parceria anticrime permanente entre Brasil e Estados Unidos.
A declaração foi feita após uma reunião em Brasília com Gabriel Escobar, encarregado de Negócios da Embaixada norte-americana, na qual discutiram formas de cooperação para sufocar financeiramente o crime organizado internacional. Segundo Haddad, ambos os lados demonstraram forte interesse em avançar rapidamente com mecanismos conjuntos de investigação e bloqueio de bens.
O encontro ocorre na sequência de um telefonema entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente norte-americano, Donald Trump, na semana passada, durante o qual Lula propôs uma cooperação reforçada contra os fluxos financeiros das facções criminosas. Haddad explicou que o governo brasileiro já enviou uma carta com propostas concretas e que os canais oficiais entre os dois países estão a ser consolidados, com o objetivo de evitar entraves legais ou burocráticos.
Haddad adiantou ainda ter compartilhado com a diplomacia norte-americana detalhes das investigações em curso no Brasil, algumas das quais envolvem fundos sediados nos Estados Unidos. Sublinhou também os avanços recentes na integração entre Polícia Federal, Receita Federal e Ministérios Públicos, destacando que a participação norte-americana pode ampliar significativamente a eficácia do combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento de organizações criminosas.
O ministro frisou, contudo, que o modelo de cooperação aplicado pelos Estados Unidos no México não serve para o Brasil, que necessita de um acordo ajustado à sua realidade atual. Defendeu uma abordagem prática e orientada a resultados, que vá além da troca formal de documentos, permitindo respostas imediatas — como no rastreamento de armas ou componentes de fuzis enviados a partir de portos norte-americanos.