Brasil e Moçambique assinam memorando na área de biocombustíveis

O primeiro Fórum Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e Inovação, realizado pela União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), na cidade de São Paulo, nos dias 5 e 6 de junho, ficou marcado pela assinatura de um Memorado de Entendimento entre o Gabinete de Reformas Económicas do Ministério da Economia e Finanças da República de Moçambique, a CTJ Consultoria, empresa moçambicana de consultoria estratégica e empresarial, e a Ubrabio.

O objetivo é que iniciem “discussões para o desenvolvimento e a implementação da indústria de biocombustível em Moçambique, com base na tecnologia e expertise brasileira”.

O coordenador-adjunto do Gabinete de Reformas Económicas do Ministério da Economia e Finanças do Governo de Moçambique, João Macaringue, comentou que a medida 10 do PAE – Programa de Aceleração Económica do país visa “a geração de mais postos de trabalho e indução de investimentos privados na cadeia de valor da produção agrícola e redução das importações”, o que introduz a obrigatoriedade de os importadores e distribuidores de combustíveis líquidos incluírem biodiesel no combustível de todo o país.

“Por ser o Brasil referência no assunto, o governo moçambicano foi conhecer projetos que possam ser desenvolvidos no seu território, iniciando-se pelo B3 – inclusão de biodiesel no teor de 3% no combustível – podendo chegar a 20% desse total”, explicou este responsável moçambicano.

A delegação de Moçambique que deslocou-se ao Brasil foi coordenada pela CTJ Consultoria, já que será esta empresa africana que dará continuidade ao apoio nos estudos para a implementação do projeto de biodiesel em Moçambique.

“A ideia da visita, além de interagirmos com os maiores players da indústria de biodiesel brasileira, foi a de assinarmos um Memorando de Entendimento entre o Gabinete de Reformas Económicas, a CTJ e a Ubrabio para termos um marco concreto e impulsionador para a realização de um grande projeto para Moçambique”, sublinhou Bruno Chicalia, sócio da CTJ Consultoria.

Segundo apurámos, o documento assinado “estabeleceu uma parceria entre as partes para a boa execução e implementação da Medida 10 do PAE, dentro da expertise de cada um: a CTJ como especialista em assessoria e consultoria empresarial, enquanto a Ubrabio é uma entidade que congrega não só as empresas do setor de produção de biocombustível, bem como outras entidades daquilo que é o exemplo de uma economia circular (agricultura familiar, produção e reciclagem animal, fabricantes automóveis e aéreos, transportadores rodoviários, entre outros) e apoia as iniciativas de pesquisas e projetos na área, sendo capaz de prestar todo o suporte técnico na empreitada”.

O Memorando visa “estabelecer a troca de conhecimento entre as partes, na forma de estudos, projetos e pesquisas, para que sejam delineados os termos e condições para o planeamento, implementação e o desenvolvimento da indústria de biocombustíveis em Moçambique, com tecnologia brasileira para geração de empregos e riqueza a partir da produção local”.

“Moçambique é um país com grande capacidade agrícola e apenas 15% do nosso território disponível para plantio é explorado. Assim, temos muita área produtiva para projetos de biocombustíveis que não interfere na nossa capacidade de produzir também alimentos”, elucidou Macaringue.

Marcelo Tertuliano, outro dos sócios da CTJ Consultoria, lembrou que o Brasil é pioneiro na tecnologia de biocombustíveis e que a expertise do país sul-americano na área ajudará Moçambique a minimizar erros.

“Devemos nos atentar ao facto de que o Brasil tem 30 anos de história no segmento e o projeto em Moçambique nascerá com esta vantagem. Buscar a tecnologia aqui é um grande acerto, já que essa parceria proporcionará ganhos produtivos, logísticos e económicos para os dois países. E o estreitamento de laços entre nações-irmãs é sempre positivo e desejado por todos”, finalizou o executivo, que é brasileiro e mora em Moçambique há mais de dez anos.

As autoridades brasileiras mostraram-se recetivas à nova conexão entre o país e uma nação africana, agora no domínio dos biocombustíveis.

Ígor Lopes

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