O Brasil é, atualmente, o terceiro país “mais inseguro da América do Sul”, ocupando, no ranking global, a 131ª posição. É o que aponta a 18ª edição do Global Peace Index (GPI), promovido pelo Institute for Economics and Peace (IEP), que mede a paz em países ao redor do mundo, considerando vários fatores.
Este documento assinala que o Brasil está entre as 15 nações menos pacíficas e aponta a Islândia como o país mais pacífico do mundo, posição que ocupa desde 2008. Na América do Sul, apena a Argentina é está entre os 50 países mais pacíficos do mundo.
O estudo que diz que o Brasil está entre os 15 menos pacíficos do mundo, em termos de segurança e proteção social, relata que violência custou 11,08% do PIB brasileiro em 2023.
“O Brasil ocupa a nona posição entre os 11 listados no ranking da América do Sul, o que representa a terceira pior posição da região, ficando à frente apenas da Colômbia e da Venezuela. A posição foi analisada pelos desafios contínuos em segurança pública e proteção social, destacando a necessidade de medidas eficazes para evoluir nestes quesitos também e para estabilizar a política no país”, lê-se na nota.
Na América do Sul, a Argentina superou o Uruguai e agora é o país mais pacífico do continente, conforme avaliado após a eleição do presidente Javier Milei em outubro de 2023. Apesar dos conflitos pré-eleitorais, houve melhorias no indicador de instabilidade política na Argentina o que contribuiu para que o país liderado por Javier Milei alcançasse a primeira posição na região.
Toda a região da América do Sul registou a segunda maior queda na pacificação: foi na ordem de 3,6%. As maiores mudanças ocorreram nos indicadores de Taxa de Homicídios, Escala de Instabilidade Política e Conflitos Internos.
“Na última década, a paz diminuiu em nove dos dez anos. Atingimos um número recorde de conflitos, com um aumento da militarização e a uma maior concorrência estratégica internacional, que afetam negativamente a economia mundial e aumenta o risco de novos embates, além de agravar a desigualdade social”, afirmou Steve Killelea, fundador e presidente do IEP.
A Islândia que continua a ser o país mais pacífico do mundo, posição que ocupa desde 2008, é seguida pela Irlanda, Áustria, Nova Zelândia e Singapura, um novo participante no top cinco.
O relatório também revela que 97 países pioraram na índice de pacificação, o maior número desde o início do índice, em 2008. Conflitos em Gaza e Ucrânia foram os principais fatores para a queda global da paz, com mortes em batalhas chegando a 162 mil em 2023. Além disso, 110 milhões de pessoas estão refugiadas ou tiveram que se mudar internamente devido as guerras, com 16 países acolhendo mais de meio milhão de pessoas.
Para a Steve Killelea, “é fundamental” que os governos e as empresas em todo o mundo intensifiquem os seus esforços para resolver os muitos conflitos menores antes que se transformem em crises maiores.
Este responsável lembra que “já passaram 80 anos desde o fim da Segunda Guerra Mundial e as crises atuais sublinham a urgência dos líderes mundiais se comprometerem a investir na resolução destes conflitos”.
Ígor Lopes