Brasil/EUA: Senadores brasileiros buscaram apoio no Congresso dos EUA contra tarifa de importação

A tarifa de importação de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros, com validade a partir de 6 de agosto, levou senadores brasileiros a se reunirem nos últimos dias com parlamentares norte-americanos no Capitólio, em Washington. O objetivo foi “abrir diálogo e mostrar os prejuízos entre os países”.

A comitiva, liderada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado brasileiro, Nelsinho Trad, buscou o apoio de democratas e republicanos para ajudar nas negociações com o presidente dos EUA, Donald Trump, pela redução do percentual tarifário. A estratégia era mostrar que a sobretaxa resultaria numa situação de “perde-perde” entre os países.

A tarifa foi anunciada por Trump em 9 de julho, por meio de uma rede social, sob a alegação de perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para o consultor legislativo do Senado Henrique Salles Pinto, a medida tem cunho mais político e geopolítico do que económico. Ele alertou para o risco de o Brasil ficar isolado, com um nível tarifário semelhante a um embargo, enquanto os EUA negociam reduções com parceiros como a União Europeia e a China.

Durante os encontros, destacaram-se os impactos da tarifa em estados americanos importadores de produtos brasileiros, como o Novo México. Os parlamentares norte-americanos também foram convidados a visitar o Brasil.

Antes das reuniões no Capitólio, os senadores encontraram-se com representantes da Câmara Americana de Comércio e do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, numa articulação buscou “promover uma manifestação conjunta pelo adiamento da tarifa”.

“Não viemos com bandeira ideológica, viemos com dados e responsabilidade. O ‘não’ nós já temos; viemos correr atrás do ‘sim’”, disse Nelsinho Trad, após encontro com executivos da Cargill, ExxonMobil, Johnson & Johnson e Caterpillar.

Salles Pinto também destacou que a tarifa não é um facto isolado, mas parte de um conjunto de medidas protecionistas dos EUA que vêm elevando os preços no país. Isso reduz o poder de compra da população americana e obriga o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) a manter juros elevados, o que desestimula investimentos e pode gerar desemprego.

“Tudo isso pode trazer consequências negativas tanto para o Brasil como para os próprios Estados Unidos”, concluiu Pinto.

Ígor Lopes

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