A Fundação Getúlio Vargas (FGV) Arte inaugurou, no dia 10 de abril, na sua sede, na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, a exposição gratuita “Afro-brasilidade, uma homenagem a dois Valentins e a um Emanoel”, que ficará em cartaz até agosto deste ano às terças, sextas, sábados e domingos.
A mostra reúne artistas e pensadores que fundamentam a afro-brasilidade e a pluralidade, com obras de Aleijadinho, Mestre Athaíde e Mestre Valentim, e criações contemporâneas de Rosana Paulino, Felippe Sabino, Lucia Laguna, entre outros.
Esta é a quinta exposição da FGV Arte e teve a curadoria de Paulo Herkenhoff e João Victor Guimarães, que reuniu mais de 300 obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias e documentos históricos com uma programação educacional gratuita, incluindo palestras, minicursos, seminários e oficinas.
“A exposição foi concebida como um tecido que se expande e se entrelaça, conectando diferentes tempos, territórios e perspectivas. A mostra transita desde o pano da costa, elemento presente nos rituais da vida africana, até esculturas históricas que dialogam com a ancestralidade”, explicou o crítico, artista e curador chefe da FGV Arte, Paulo Herkenhoff, que já foi diretor do Museu Nacional de Belas Artes, do Museu de Arte do Rio, curador assistente do MoMa, em Nova York e assinou a 24ª edição da Bienal de São Paulo (1998).
Segundo o curador adjunto da mostra, crítico de artes visuais e pesquisador, João Victor Guimarães, há vários artistas de estados brasileiros e “as identidades afro-brasileiras se manifestam de diferentes formas em diferentes regiões” focadas na “ampliação geográfica para a exposição” que contenham “destreza técnica, da coerência da produção, da relevância de cada artista, porque nós entendemos que são desses trabalhos que a exposição é feita”.
A mostra também focou no resgate de nomes “historicamente marginalizados no circuito artístico”, como, por exemplo, a artista gaúcha Maria Lídia Magliani e a sua obra “My baby just cares for you”, nunca exposta ao público.
Herkenhoff lembrou que as obras expostas têm um potencial metafórico e dialogam, na exposição, com questões centrais da sociedade brasileira e definidas como transformadoras. Ele citou dois nomes: Alberto Pitta, referindo-se à obra dele de um “monocromo branco, ou a obra de Abdias Nascimento, grande nome na luta antirracista, por exemplo, são um convite à reflexão, no qual qualquer obra feita por um artista afrodescendente pode ser considerada como uma obra de resistência”.
A literatura brasileira também ganhou espaço na exposição com obras que retratam Machado de Assis, composta de um retrato e de um manuscrito, a escritora Carolina Maria de Jesus reproduzida numa parede inteira e o conhecido diálogo com Clarice Lispector, retratado por Paulo Mendes Campos.
No dia 11 de abril, teve uma palestra de abertura e diálogo com Paulo Herkenhoff e João Victor Guimarães, no auditório da FGV.
Nos dias 14, 15 e 16, decorreu o minicurso “Economia e mercado da arte: o valor da arte além do preço”, com Thierry Chemalle (FGV) e convidados.
O “1º Seminário de Curadoria de Arte Afro-brasileira” vai acontecer de 13 a 15 de maio. Os convidados confirmados são Amanda Carneiro (Masp), André Pitol (36ª Bienal de SP), Cláudia Rocha (MNBA), Claudinei Roberto da Silva (Curador independente), Deri Andrade (Projeto Afro, Inhotim) e Ynaê Lopes dos Santos (Centro Cultural Rio Áfricas). Outras oficinas com artistas integram o programa oficial do evento.
Ígor Lopes