Brasil: Governo de São Paulo decretou “emergência” em virtude do aumento dos casos de dengue

O Governo do Estado de São Paulo decretou “situação de emergência” em saúde pública em razão da epidemia por dengue. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado da Saúde, Eleuses Paiva, durante reunião do Centro de Operações de Emergências para as arboviroses, na capital paulista, nos últimos dias. Com 124.038 mil casos e 113 óbitos, Estado anunciou ampliação de recursos para internações de pacientes com dengue.

Este responsável anunciou também o aumento do financiamento para internações de pacientes com dengue. O acréscimo de 20% no teto MAC (Média e Alta Complexidade) impacta diretamente na assistência prestada pelos hospitais e unidades de saúde conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil em todas as regiões do Estado.

“Mais uma vez o Estado se antecipa no enfrentamento da doença. O objetivo é garantir que cada município tenha a infraestrutura necessária para adotar as medidas certas no momento certo. Os reforços anunciados são para assegurar que os pacientes recebam a assistência necessária e que os municípios atuem adequadamente para o combate às arboviroses”, destacou o secretário.

O evento aconteceu no Instituto Butantan e contou com a presença de Ésper Kallás, diretor do Instituto; Priscilla Peridicaris, secretária executiva da SES; Cecilia Mantovan, secretária executiva de Comunicação do Governo de São Paulo; Radharani Rodrigues, da Secretaria de Educação do Estado; Carlos Roberto Junqueira, da Casa Civil; e a sargento Mirella Pelege, da Defesa Civil. Além da participação online do Cosems (Conselho de Secretários Municipais da Saúde de São Paulo), da Secretaria de Desenvolvimento Social e da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, 225 municípios paulistas já atingiram mais de 300 casos de dengue por 100 mil habitantes. O decreto facilita o acesso das cidades a recursos federais e estaduais. Cada gestão municipal, a partir da análise de seu cenário epidemiológico, poderá utilizar a medida estadual para decretar emergência em âmbito local.

A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da SES, Tatiana Lang, destacou a importância da monitorização contínua e do controlo dos criadouros.

“A conscientização é a medida mais eficaz para combater a doença. E as campanhas desempenham um papel fundamental na conscientização da população e no fortalecimento do combate às arboviroses”, disse.

Outra medida anunciada pela Secretaria de Estado foram investimentos na aquisição de 100 novos equipamentos de nebulização portátil e mais 10 de nebulização ambiental. Ao todo, o Governo de São Paulo disponibiliza 730 máquinas portáteis e 55 pesadas para o combate ao mosquito transmissor da dengue.

Diante do cenário epidemiológico, a Secretaria de Estado da Saúde investiu, ainda, na aquisição de medicamentos, como sais de reidratação oral, soro fisiológico e antitérmicos para o tratamento de pacientes. A Pasta reforçou o stock destes itens para apoiar municípios que enfrentarem dificuldade no abastecimento das unidades de saúde.

O Instituto Butantan desenvolve a primeira vacina de dose única contra a dengue do mundo, o que coloca São Paulo e o Brasil na vanguarda. Os estudos sobre o candidato a imunizante começaram em 2016 e terminaram em junho de 2024. Os resultados, publicados no The New England Journal of Medicine, indicaram que a vacina do Butantan reduziu em 79,6% o risco de adoecer em consequência do vírus da dengue. Além disso, reduziu em 89% o risco de desenvolver formas graves da doença.

“O Instituto Butantan trabalha há algumas décadas no desenvolvimento da vacina contra a dengue e está finalizando as etapas para nova submissão à avaliação. Trata-se de uma vacina de dose única, essencial para a prevenção da doença. Com o apoio do Governo do Estado, o Butantan avança na produção, mesmo diante dos desafios”, informou o diretor do Instituto Butantan, Ésper Kallás.

Segundo apurámos, a vacina é tetravalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos da dengue, inclusive o DENV-3, que voltou a circular recentemente no Estado. Além disso, é também a vacina contra a dengue que cobre a faixa etária mais ampla.

Note-se que dengue é uma doença tropical infeciosa causada pelo vírus da dengue, um arbovírus da família Flaviviridae, género Flavivírus e que inclui quatro tipos imunológicos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e articulares e uma erupção cutânea característica que é semelhante à causada pelo sarampo. Numa pequena proporção de casos, a doença pode evoluir para a dengue hemorrágica com risco de morte, resultando em sangramento, baixos níveis de plaquetas sanguíneas, extravasamento de plasma no sangue ou até diminuição da tensão arterial a níveis perigosamente baixos.

Ígor Lopes

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