O Governo Federal brasileiro anuncio que reforçou a operação de combate aos incêndios florestais no Amazonas, com a mobilização de 330 brigadistas, 11 aeronaves, 32 veículos terrestres e oito embarcações. Desde o início da atual temporada de incêndios, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) extinguiu 303 ocorrências no estado.
A estrutura aérea disponibilizada inclui seis aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água sobre os focos de incêndio, um KC-390 mobilizado pelo Ministério da Defesa, três helicópteros destinados ao combate, transporte de equipas e equipamentos e uma aeronave Caravan para apoio logístico. Os meios operam em articulação com as equipas coordenadas pelo Ibama e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O reforço inclui igualmente a atuação da Força Nacional de Segurança Pública. O Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou o envio de mais 29 bombeiros e nove viaturas ao Amazonas, elevando para 160 o número de profissionais mobilizados pelo ministério no estado. A medida pretende aumentar a capacidade de resposta aos incêndios e antecipar os possíveis impactos associados ao El Niño 2026/2027.
Deste contingente, 120 são bombeiros contratados ao serviço da Força Nacional e 40 pertencem à própria instituição. Com a nova mobilização, o efetivo da Força Nacional diretamente envolvido nesta frente aumenta de 11 para 40 elementos, enquanto o número de viaturas destinado às operações passa de três para 12.
As equipas já estavam presentes em municípios como Humaitá, Lábrea e Apuí, no sul do Amazonas, região onde decorrem ações de prevenção, fiscalização e combate aos incêndios florestais. A atuação federal abrange ainda outros pontos estratégicos do estado, incluindo Manaus, Tabatinga, Atalaia do Norte e Coari, além dos corredores dos rios Negro e Solimões e da região da tríplice fronteira.
A resposta aos incêndios tem sido acompanhada por reuniões entre representantes dos governos federal e estadual. O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, esteve em Manaus para se reunir com o vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa, e com responsáveis pelas áreas de segurança, fiscalização e proteção ambiental.
Participaram igualmente dos encontros os presidentes do Ibama, Jair Schmitt, e do ICMBio, Mauro Pires, além de representantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasileira de Inteligência, Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazónia e outras instituições federais e estaduais.
A atuação conjunta procura combinar o combate imediato às chamas com ações de prevenção, fiscalização e investigação. Durante novos sobrevoos às áreas atingidas, Capobianco acompanhou a evolução dos incêndios e as operações realizadas pelas equipas em campo.
As autoridades investigam também a eventual origem criminosa de alguns focos. Capobianco afirmou que foram recebidos relatos sobre incêndios deliberadamente provocados, incluindo situações em que teria sido utilizado combustível junto da vegetação nas margens de estradas. O Governo Federal ressalvou, no entanto, que a existência de uma ação organizada ainda não foi confirmada e permanece sob investigação.
Ígor Lopes
As forças de segurança deverão aprofundar as investigações para identificar os responsáveis por eventuais incêndios criminosos. Durante o atual período de emergência no Amazonas, o uso do fogo está proibido, com possibilidade de responsabilização para quem desrespeitar as determinações em vigor.
O apoio federal inclui também equipamentos destinados diretamente ao Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas. Entre os materiais transferidos encontram-se equipamentos de proteção individual, sistemas de proteção respiratória, mochilas de combate a incêndios, viaturas e embarcações.
O Fundo Amazónia destinou ainda 45 milhões de reais ao projeto ProAmazon, dirigido ao fortalecimento da estrutura do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas e das ações de prevenção e combate aos incêndios florestais e queimadas não autorizadas.
O reforço das operações ocorre num período em que as autoridades acompanham os potenciais impactos do El Niño 2026/2027. O fenómeno está a ser monitorizado por instituições federais, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Instituto Nacional de Meteorologia e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.
Entre os riscos associados estão períodos de estiagem, temperaturas elevadas e condições que podem favorecer a propagação de incêndios e o aumento da concentração de fumo. No Amazonas, este cenário pode também afetar os níveis dos rios, o transporte de populações e o abastecimento de comunidades mais isoladas.
Com o aumento dos meios humanos e logísticos, o Governo Federal procura agora ampliar a capacidade de resposta imediata, enquanto mantém ações de prevenção e investigação. A operação reúne diferentes estruturas do Estado e procura atuar simultaneamente sobre três frentes: extinguir os incêndios em curso, reduzir o risco de novos focos e identificar os responsáveis por ocorrências provocadas deliberadamente.