Os incêndios que atormentaram a população do interior de São Paulo, no Brasil, causaram três mortes, nove prisões, devastação à agricultura e ao meio ambiente, problemas respiratórios, escolas encerradas, práticas desportivas suspensas, voos cancelados, interdições totais em cinco rodovias, com oito parcialmente fechadas e em alguns troços de oito rodovias. Com o quadro de devastação apresentado pelo governo estadual de São Paulo, foi criado um gabinete de crise.
O governo de São Paulo chegou a declarar, por 180 dias, emergência nas áreas de 45 municípios, número que subiu para 48 nas últimas horas. O decreto ocorre devido a incêndios florestais de “grande magnitude em regiões” do Estado, entre os dias 2 e 24 de agosto, resultando “em graves danos humanos, materiais e ambientais, além de significativos prejuízos económicos e sociais”.
Até o momento, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) do Brasil, por meio de satélite e com referência a cada mês, registou um total de 5.328 focos de queimadas em São Paulo. Somente em agosto foram 3.530.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo anunciou que dois funcionários, de 30 e 47 anos, de uma usina em Urupês, região metropolitana de São José do Rio Preto, morreram ao tentar combater um incêndio próximo a um parque ecológico da cidade. Um homem de 55 anos também morreu ao tentar apagar um incêndio numa propriedade rural no município de Icém.
Com o gabinete de crise e a criação da “Operação São Paulo Sem Fogo”, para ações de monitorização e controlo, técnicos da Defesa Civil, das secretarias da Segurança Pública (SSP), Agricultura e Abastecimento e de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), estão a atuar em conjunto no combate aos incêndios para encontrar os responsáveis.
No último sábado, dia 24, ocorreu a primeira prisão pela Polícia Militar em São José do Rio Preto. Um homem de 76 anos colocava fogo num monte de lixo numa mata no bairro Jardim Maracanã. Na região de Ribeirão Preto, apontada como a área mais afetada, dez cidades enfrentaram focos de incêndio e moradores foram obrigados a deixar as suas casas devido ao fogo e tempestade de poeira.
No domingo, 25, em Batatais, Alessandro Arantes, de 42 anos, que recentemente declarou ter agido por ordem da facção criminosa PCC, foi preso com uma garrafa com gasolina, isqueiro e telemóvel. Nesse mesmo dia, por determinação do governo federal brasileiro, a Polícia Federal do país passou a investigar se, de facto, havia ação criminosa nos incêndios. Já o governo estadual afirmou não ter constatado sinais de ação orquestrada.
A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, afirmou que “não é natural, em hipótese alguma, que em poucos dias tenha tantas frentes de incêndio envolvendo concomitantemente vários municípios”, sublinhando que “trata-se de uma ação criminosa de quem está ateando fogo criminosamente”.
O governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou não haver “indícios de ação coordenada”.
Wolnei Wolff, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, disse que 99,9% dos incêndios ocorridos no interior de São Paulo foram causados pela ação humana.
Até quarta-feira, 28, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo confirmou a prisão de sete suspeitos por provocar incêndios.
Ígor Lopes