O Brasil deu um passo estratégico na sua independência tecnológica com a criação da Nuvem de Governo, apresentada no Dia da Independência como marco da soberania digital do país. A iniciativa, coordenada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em parceria com as estatais Serpro e Dataprev, assegura que dados sensíveis da administração pública passem a ser processados e armazenados em infraestrutura nacional sob gestão estatal.
Com um investimento previsto superior a 1.000 milhões de reais (cerca de 183 milhões de euros), o modelo combina soberania dos dados, garantida por legislação e datacenters no território brasileiro, e soberania operacional, assegurada por equipas técnicas das estatais.
Desde junho, mais de 250 órgãos do Executivo já têm acesso à plataforma, que promete maior interoperabilidade entre sistemas governamentais, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A aposta só foi possível após a retirada da Serpro e da Dataprev do Plano Nacional de Desestatização, em 2023, medida que reforçou o papel estratégico destas empresas.
Em 2024, ambas registaram lucros expressivos: o Serpro alcançou 685,2 milhões de reais (cerca de 125 milhões de euros) e a Dataprev obteve 508 milhões de reais (92 milhões de euros), resultados que permitiram ampliar investimentos em modernização e segurança digital.
Inserida na agenda de Transformação do Estado, a Nuvem de Governo é parte da Infraestrutura Nacional de Dados, que organiza padrões tecnológicos para garantir segurança, privacidade e uso eficiente da informação pública.
Segundo a ministra Esther Dweck, a plataforma reforça a proteção contra ameaças cibernéticas e assegura a continuidade dos serviços digitais, fortalecendo áreas estratégicas como Saúde, Educação e Previdência Social.