A Polícia Federal (PF) realizou nesta terça-feira (15) duas operações distintas que revelaram esquemas graves de tráfico de pessoas envolvendo exploração sexual e trabalho análogo à escravidão. Num dos casos, mulheres brasileiras eram aliciadas com promessas de trabalho na Europa, mas acabavam vítimas de exploração sexual. No outro, cidadãos paraguaios eram trazidos ilegalmente para trabalhar em condições degradantes numa fábrica clandestina em Ourinhos (SP).
As investigações indicam que as brasileiras, geralmente jovens com perfil de modelos, eram recrutadas pelas redes sociais e enviadas ao exterior, onde enfrentavam violência física e psicológica, retenção de documentos e jornadas exaustivas.
A PF cumpriu mandados de busca no Distrito Federal e em São Paulo, além de uma ordem de prisão preventiva. Foram também apreendidos passaportes e sequestrados bens no valor de até R$ 6,6 milhões (cerca de 1,1 milhão de euros).
Já a Operação Chrysós desmantelou uma organização criminosa que explorava mão de obra paraguaia numa fábrica ilegal de cigarros.
Os trabalhadores, mantidos sob vigilância constante e em isolamento, enfrentavam condições insalubres e jornadas forçadas. A ação teve apoio do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho.
Segundo Marina Bernardes, coordenadora do enfrentamento ao tráfico de pessoas da Secretaria Nacional de Justiça, esses crimes violam profundamente os direitos humanos.
O IV Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, em vigor até 2028, prevê ações de prevenção, assistência às vítimas e responsabilização dos envolvidos.
O tráfico de pessoas envolve múltiplas dimensões – económicas, sociais e psicológicas – e continua a ser uma das formas mais graves de violação da dignidade humana.