Brasil: Prefeito do Rio de Janeiro anuncia instalação da “cidade da Inteligência Artificial” durante evento em Lisboa

Imagem: Eduardo Cavaliere, prefeito do Rio de Janeiro, reconhece também o papel estratégico de Portugal na aproximação entre Mercosul e União Europeia. Fotos: Agência Incomparáveis

O prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, defendeu uma aposta estratégica do município na área da inteligência artificial e das infraestruturas digitais, posicionando a capital fluminense como uma futura “Rio AI City”.

As declarações foram prestadas em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis no âmbito do “XIV Fórum de Lisboa”, que decorreu entre 1 e 3 de junho, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, reunindo milhares de participantes para debater os desafios da nova ordem internacional, da tecnologia e da soberania.

O evento contou com 2435 credenciados, 2867 participantes, 432 palestrantes e 70 painéis de debate, afirmando-se, uma vez mais, como “um dos principais espaços de reflexão jurídica, política e institucional entre Brasil, Portugal e outros países europeus”.

Inserido na programação do Fórum, Eduardo Cavaliere integrou o painel “Desenvolvimento Tecnológico, Data Centers e Soberania Nacional”, que contou também com a presença de Alexandre Silveira de Oliveira, ministro de Estado de Minas e Energia da República Federativa do Brasil; Samara Castro, chefe de gabinete da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República; Priscila Lapa Villas Boas de Carvalho, professora em Direito Ambiental e Sustentabilidade da University College London; e Edson Holanda, conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações da República Federativa do Brasil. A moderação esteve a cargo de Fabrício da Mota Alves, advogado e presidente do Conselho Consultivo da Anatel.

Questionado sobre o significado de representar o Rio de Janeiro num evento descrito como “o maior encontro brasileiro realizado fora do Brasil”, Cavaliere destacou a relevância institucional do “Fórum de Lisboa”, considerando que o evento ultrapassa a dimensão política do quotidiano.

“Eu disse aqui mais cedo, o ‘Fórum de Lisboa’ é um fórum de Estado”, afirmou, sublinhando que as discussões promovidas pelo encontro reúnem representantes de diferentes esferas da administração pública brasileira em torno de questões estruturantes para o país.

“As discussões que são trazidas para cá juntando, na sua maioria, servidores públicos, funcionários públicos, membros das diferentes instituições do Brasil, do Judiciário, do Parlamento, dos governos executivos pelo Brasil inteiro, municipal, estadual, federal, são temas de Estado”, sustentou.

Para o prefeito brasileiro, este tipo de reflexão exige um “afastamento” das exigências imediatas da governação.

“Demandam algum grau de distanciamento do dia a dia, daquela coisa do batente do dia a dia, para que tenha reflexão, discussão, propostas efetivas e uma possibilidade de consenso”, observou.

Segundo defendeu, é precisamente essa capacidade de gerar convergências em torno de temas estratégicos que explica a consolidação do “Fórum de Lisboa” ao longo dos anos.

“Acho que este é o mais importante num espaço como este e, por isso, o ‘Fórum de Lisboa’ se consolidou como um fórum de Estado tão importante para o Brasil”, frisou.

Confrontado com o papel das relações entre Brasil e Portugal num momento marcado pelo avanço das negociações entre o Mercosul e a União Europeia, Eduardo Cavaliere destacou a relevância do acordo para a criação de novas oportunidades económicas.

“Sem dúvida, o acordo Mercosul-União Europeia é um marco na relação desses países e que abre uma enorme oportunidade, especialmente para o Brasil”, salientou.

Foi neste contexto que o prefeito procurou enquadrar a estratégia de desenvolvimento tecnológico delineada para o Rio de Janeiro.

“E a gente aqui, olhando para o Rio de Janeiro, o objetivo foi mostrar que a oportunidade que a Inteligência Artificial, o Data Center, abrem nesse século para o Rio de Janeiro é muito especial”, explicou.

Ao justificar essa visão, Cavaliere apontou para o histórico da cidade maravilhosa na área energética e na engenharia nacional.

“O Rio de Janeiro é a cidade da energia, da Eletrobras, agora a Axia, da Petrobras, da ONS, do Operador Nacional, do próprio Sistema de Energia, que tem o histórico de ser lugar da engenharia brasileira”, recordou este responsável, que aproveitou para estabelecer ainda um paralelismo entre os centros de dados e as infraestruturas que impulsionaram o desenvolvimento económico no século XX. Algumas novas infraestruturas estarão no Rio, muito em breve, com um grande investimento em “data centres”.

“Como eu disse aqui, a infraestrutura do Data Center está para esse século como as rodovias estiveram para o século passado, ferrovias, aeroportos e a siderurgia, que se consolidou como uma infraestrutura industrial importante para o Brasil”, argumentou, assumindo a ambição do executivo municipal que lidera.

“É a partir dessa perspetiva que o Rio de Janeiro se coloca como a cidade da Inteligência Artificial, o Rio AI City”, realçou.

Relativamente ao contributo que Portugal poderá oferecer neste processo, Eduardo Cavaliere reforçou a proximidade histórica, cultural e estratégica entre os dois países.

“Acho que Portugal é um lugar de imenso carinho e relevância estratégica para o Brasil e para o mundo”, afirmou.

O prefeito sublinhou igualmente o papel de Portugal enquanto ponte privilegiada entre o Brasil e o espaço europeu.

“É um lugar de conexão do Brasil e do Rio com a Europa, um lugar em que a gente se sente em casa, muito especial”, descreveu.

Por fim, manifestou a convicção de que Portugal será “protagonista” na “aproximação” das relações entre o Mercosul e a União Europeia.

Ígor Lopes

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