Uma multidão ocupou cerca de sete quarteirões do centro financeiro de São Paulo, no Brasil, no dia 25 de fevereiro, para participar numa manifestação em “defesa da democracia” e apoio ao ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. Durante o evento, o antigo governante afirmou estar a ser “alvo de perseguição política” e negou ter planeado uma tentativa de golpe de Estado quando governava o Brasil.
“Levo pancada desde antes das eleições de 2018, passei quatro anos perseguido enquanto Presidente da República, essa perseguição aumentou a sua força quando deixei a Presidência”, disse Bolsonaro.
Com forte adesão popular, Bolsonaro aproveitou a sua intervenção à multidão para criticar as investigações que o ligam a um plano para invalidar as eleições presidenciais de 2022. Em São Paulo, estiveram ao lado de Bolsonaro o governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Nunes, além de vários parlamentares e governadores conservadores.
“Bolsonaro queria dar um golpe. Sempre ouvi isso desde que assumi. O que é golpe? É tanque na rua, é arma, é conspiração, é trazer classes empresariais para o seu lado, nada disso foi feito no Brasil. Nada disso eu fiz, e continuam-me a acusar de golpe”, alertou o ex-presidente.
A ação foi convocada por Bolsonaro ainda no dia 12 de fevereiro, quatro dias após ter sido um dos alvos de uma grande operação policial no Brasil como suspeito de planear uma alegada tentativa de golpe de Estado que não se concretizou.
Nas últimas semanas antes deste evento, Bolsonaro apelou aos seus apoiantes para participarem numa “manifestação pacífica em defesa do Estado democrático de direito”. Muitos utilizam a camisola da seleção brasileira de futebol, mas sem faixas ou cartazes, a pedido de Bolsonaro, que solicitou, já na Avenida Paulista, amnistia para os seus apoiantes que foram detidos no dia 08 de janeiro de 2023, depois de invadirem e vandalizarem os edifícios do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Palácio do Planalto, em Brasília.
“O que eu procuro é a pacificação, é passar uma borracha no passado. É procurar uma maneira de nós vivermos em paz. É não continuarmos sobressaltados (…), uma amnistia para aqueles pobres coitados que estão presos em Brasília. (…) Nós já amnistiamos no passado quem fez barbaridades no Brasil. Agora, pedimos a todos os 513 deputados, 81 senadores, um projeto de amnistia para seja feita justiça no nosso Brasil”, comentou.
A ligação do ex-presidente com os atos de destruição nas sedes dos três poderes do sistema brasileiro ainda é alvo de investigação e pode complicar a situação jurídica do antigo governante. Em 08 de fevereiro, Bolsonaro teve o passaporte apreendido durante uma operação policial relacionada com a alegada tentativa de golpe de Estado que visou vários ex-colaboradores do seu Governo, incluindo ex-ministros e militares de alta patente.
Convocado para prestar esclarecimentos sobre este inquérito pela Polícia Federal brasileira, o ex-presidente manteve-se em silêncio, já que “não teve acesso às provas que sustentaram as investigações”.
Bolsonaro está inelegível até 2030, por decisão da justiça brasileira.
Ígor Lopes