O Theatro Municipal do Rio de Janeiro (TMRJ), no Brasil, que completou recentemente 115 anos, terá investimento de cerca de dois milhões de euros para reforma do palco principal e melhoria na estrutura física do prédio.
A verba é proveniente da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab), em acordo com a Cooperação Técnica, a Fundação Teatro Municipal e a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Sececrj). Mesmo com as obras a serem realizadas pouco a pouco, entre janeiro e fevereiro de 2025, o teatro continuará aberto.
“A temporada está a todo vapor e nada será cancelado. A maior parte da reforma será feita aos poucos, como já tem acontecido com a mudança de estofados, a troca do alcatifa e das cortinas das frisas. Estão previstas duas etapas importantes, como a troca da cortina do palco e o processo de nivelamento do piso, que só acontecerão no período de recesso do Theatro, em janeiro e parte de fevereiro”, ressaltou a presidente da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Clara Paulino.
O novo palco terá um piso flutuante chamado Harlequim Floors. Devido à sua alta qualidade, os bailarinos poderão fazer ainda mais movimentos de técnica apurada, que exigem este tipo de assoalho para a execução, a exemplo do Royal Ballet, de Londres, e do ballet da Ópera de Paris.
Outro equipamento a ser recuperado será “o sistema digital intitulado Waagner Biro, que funciona como um sofisticado computador para operar as varas cénicas do palco. Atualmente, em um palco com aproximadamente 80 delas, divididas entre manuais e digitais, somente as varas cénicas manuais estão a funcionar, o que torna o processo bem mais demorado. Portanto, a recuperação deste sistema é crucial para garantir que as apresentações possam ser realizadas com a eficiência e a precisão requeridas”.
A secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, revelou que a construção deu-se por meio de “uma consulta pública no início do ano, para ouvir as demandas da população e ajudar a definir as características do público-alvo. O processo de escuta segue a mesma linha adotada na construção da Lei Paulo Gustavo”.
A secretária argumenta que o foco é a “democratização do acesso e descentralização dos recursos da pasta. Vamos trabalhar não só no fomento a projetos, como também na recuperação de espaços, como o Theatro Municipal, a Casa França-Brasil, além de equipamentos da Funarj”.
A Fundação Teatro Municipal conta com 81 artistas na orquestra sinfónica, 90 no coro, 85 integrantes no corpo de baile, além de técnicos, funcionários na sede, no anexo do Theatro, onde fica a Escola Estadual de Dança Maria Olenewa com 282 alunos inscritos, e ainda a Central Técnica de Produção de Inhaúma e da Gamboa.
Recorde-se que o Theatro Municipal do Rio de Janeiro é o único no Brasil que tem os três corpos artísticos estáveis.
Ígor Lopes