Pela primeira vez, a China tornou-se o principal país de onde o Brasil importa bens, ultrapassando os Estados Unidos. Entre janeiro e julho de 2025, as compras chinesas totalizaram 30 mil milhões de dólares, um crescimento de 22,5%, enquanto as importações dos EUA cresceram apenas 6,7%, para 29,1 mil milhões.
A pauta chinesa é diversificada, com destaque para máquinas, equipamentos eletrónicos e fertilizantes — estes últimos muito importantes num ano agrícola forte, devido à redução de fornecedores tradicionais por conflitos geopolíticos.
Esta mudança reflete a crescente interdependência económica entre Brasil e China, que beneficia o acesso a tecnologia e preços competitivos, mas coloca desafios à indústria nacional. Analistas defendem que o Brasil deve apostar na reindustrialização para equilibrar a balança.
A China mantém-se também como o principal destino das exportações brasileiras, especialmente de soja, minério e carne. Em 2024, o comércio bilateral ultrapassou 157 mil milhões de dólares, com saldo positivo para o Brasil.
A parceria entre os dois países tende a aprofundar-se, com oportunidades em tecnologia, inovação e energias renováveis. A criação recente de uma adidância brasileira em Pequim reforça esse compromisso.
Num cenário global instável, a relação sino-brasileira assume importância estratégica para a estabilidade económica e segurança alimentar de ambos.