A segunda semana da COP 30 começou esta segunda-feira, 17 de novembro, com um apelo enfático por ações concretas de implementação do Acordo de Paris. Na abertura da plenária de alto nível, o vice-presidente do Brasil e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o mundo atravessa um momento decisivo e que já não há espaço para compromissos vazios. “O tempo das promessas já passou. Cada fração de grau adicional no aquecimento global representa vidas em risco e mais desigualdade. Esta COP deve marcar o início de uma década de entrega”, declarou.
O encontro, que marca o início do ciclo político da Conferência, reuniu cerca de 160 ministros e representantes de alto escalão. Alckmin destacou os avanços do Brasil na transição energética, reafirmando o compromisso com a energia limpa e com a meta de eliminar o desmatamento ilegal até 2030. Segundo o vice-presidente, o país chega ao evento com a matriz energética mais renovável entre as grandes economias e com políticas recentes que ampliam o uso de biocombustíveis, como o aumento da mistura de etanol na gasolina para 30% e de biodiesel para 15%.
Entre as iniciativas apresentadas pelo Brasil, Alckmin sublinhou a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que já mobiliza recursos internacionais para financiar conservação aliada à inclusão social. O vice-presidente relembrou que a proteção das florestas é inseparável da proteção das comunidades que delas dependem, e apontou que a transição energética global avançou significativamente desde a criação do Acordo de Paris, com as energias renováveis a representarem 90% das novas instalações mundiais em 2024.
A agenda estratégica do Brasil para a Conferência inclui o fortalecimento da bioeconomia, a ampliação da cooperação internacional e a promoção de mercados de carbono mais robustos. Na mesma sessão, Alckmin lançou a consulta pública da Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (ENDI), que pretende acelerar a neutralidade climática até 2050 e tornar a indústria brasileira mais competitiva num cenário global que exige baixas emissões. Para o vice-presidente, a sustentabilidade é hoje “um motor de desenvolvimento económico” capaz de transformar a produção, reduzir impactos ambientais e impulsionar inovação.