Brasil: Megaoperação policial no Rio de Janeiro tem 119 mortos e 113 detenções

Uma megaoperação das forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro, deflagrada na terça-feira, 28 de outubro, nos complexos da Complexo da Penha e da Complexo do Alemão, resultou em 119 mortos, dos quais 115 civis e quatro polícias, segundo balanço oficial divulgado pelo governo estadual.

Foram também efetuadas 113 detenções, das quais 33 de cidadãos de outros Estados, conforme indicado na mesma fonte.

A operação, batizada de Operação Contenção e descrita como a mais letal da história do Estado, mobilizou mais de 2 500 agentes civis e militares.

De acordo com o secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, a morte de quatro agentes foi confirmada.

“A polícia não entra atirando, entra recebendo tiro”, disse Curi, referindo-se ao confronto que envolveu armas de grosso calibre.

Segundo o governo estadual, foram expedidos cerca de 100 mandados de prisão contra membros da facção Comando Vermelho, com apreensão de 118 armas, sendo 91 fuzis (ou armamentos pesados), conforme dados apresentados.

Ainda assim, a contagem de mortos e feridos permanece provisória, já que há corpos em zonas de mata cuja contabilização está em curso.

O governador do Estado, Cláudio Castro, afirmou que a operação só foi possível após mais de um ano de investigação e dois meses de planeamento e defendeu que “o que estamos enfrentando não é mais crime comum, é narcoterrorismo”, segundo comunicado oficial.

A operação envolveu uso de helicópteros, blindados, drones e veículos especializados, numa área que concentra centenas de líderes criminais e pontos de apoio da facção. A complexidade operacional e o elevado número de vítimas suscitaram atenção nacional: a Comissão de Direitos Humanos e Participação Popular do Senado Federal anunciou que pedirá esclarecimentos ao governo estadual sobre a intervenção.

As autoridades reiteraram que a ação visou cumprimento de mandados judiciais de prisão e busca e apreensão, mas ativistas e organizações de direitos humanos classificaram-na como “baixa de guerra” e exigem investigação independente.

Ígor Lopes

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