O candidato da UCID pelo círculo da Europa e resto do mundo, Carlos Santos, em entrevista com o Jornal E-Global, afirmou que a diáspora cabo-verdiana precisa de “mais voz, mais respeito e mais participação” nas decisões políticas, defendendo uma mudança na forma como o país se relaciona com os seus emigrantes.
“A diáspora é Cabo Verde e não pode continuar a ser vista apenas como fonte de remessas”, declarou, sublinhando que os cabo-verdianos no exterior devem ser encarados como parceiros estratégicos no desenvolvimento nacional.
Natural de Tarrafal de Monte Trigo, em Santo Antão, e residente em Portugal desde 2016, Carlos Santos apresentou-se como representante de uma nova geração que pretende renovar o panorama político. “Candidato-me porque acredito que é preciso trazer mais equilíbrio ao parlamento e dar voz a uma nova geração”, afirmou, acrescentando que o atual modelo bipartidário tem limitado o progresso e a diversidade de soluções.
Com formação em Engenharia Informática e atualmente a frequentar o mestrado na área de Redes e Sistemas Informáticos, o candidato destacou que a sua experiência internacional lhe permite compreender melhor os desafios enfrentados pelos emigrantes. “Eu vivi na pele as dificuldades de adaptação, o acesso limitado a serviços e a distância institucional em relação a Cabo Verde”, disse, reforçando que essa vivência é uma das suas principais motivações políticas.
Entre as propostas apresentadas, Carlos Santos defendeu medidas concretas para melhorar a relação entre o Estado e a diáspora. “Precisamos modernizar os serviços consulares, reduzir a burocracia e criar plataformas digitais que permitam aos emigrantes participar mais ativamente na vida política”, afirmou. Além disso, sublinhou a importância de reforçar o Estatuto do Emigrante e criar incentivos claros ao investimento. “É fundamental garantir mais transparência, segurança jurídica e confiança para quem quer investir no país”, acrescentou.
No plano político, o candidato explicou a sua ligação à UCID, destacando que não é militante do partido. “Fui convidado no final de 2025 e aceitei porque acredito que a UCID representa uma alternativa ao modelo dominante e defende maior pluralidade no parlamento”, afirmou. Segundo explicou, desde o início de 2026 tem atuado como representante da juventude do partido na Europa, o que lhe permite manter uma posição independente.
Ao abordar os principais desafios da diáspora, Carlos Santos foi direto: “Os emigrantes enfrentam burocracia excessiva, dificuldades no acesso a serviços consulares e falta de ligação institucional com o país”. Para o candidato, a solução passa por aproximar as instituições das comunidades e garantir que as políticas públicas tenham impacto real. “Não basta criar medidas no papel, é preciso que elas funcionem na prática”, frisou.
Relativamente às expectativas eleitorais, mostrou-se moderadamente otimista. “Acredito que há espaço para reforçar a presença da UCID neste círculo e contribuir para um parlamento mais equilibrado”, disse, reconhecendo, no entanto, as dificuldades inerentes à dispersão geográfica dos eleitores da diáspora.
Na mensagem final, deixou um apelo claro aos cabo-verdianos no exterior: “Peço confiança porque trago compromisso, preparação e vontade de trabalhar”. E concluiu reforçando a sua visão: “Juntos podemos construir um Cabo Verde mais inclusivo, mais justo e verdadeiramente global”.