Cabo Verde: Adimilson Ferreira defende renovação da classe política e medidas concretas para travar a saída de jovens e impulsionar o desenvolvimento nacional

Adimilson Ferreira, mais conhecido como Enzo Bigode, candidato a deputado pelo círculo eleitoral de Santiago Norte, assume a sua candidatura como um compromisso firme com a mudança política e social em Cabo Verde, defendendo uma rutura com práticas que, no seu entender, têm limitado o desenvolvimento equilibrado do país.

Numa entrevista concedida ao Jornal E-Global, o candidato começou por apresentar-se, sublinhando as suas origens e o percurso de vida que moldou a sua visão política.: “O meu nome é Adimilson Ferreira, tenho 39 anos, nasci no interior de Santa Catarina e cresci entre Santa Catarina e São Miguel”, sublinhando, desde logo, que a sua trajetória pessoal está profundamente enraizada na realidade das comunidades que hoje pretende representar.

Essa ligação ao território não é, segundo o próprio, meramente simbólica; pelo contrário, constitui a base da sua visão política. Ao recordar a infância, destacou que cresceu num ambiente marcado pelo trabalho, pela proximidade comunitária e pela luta diária pela sobrevivência. Nesse sentido, afirmou que cedo percebeu o valor do esforço e da responsabilidade, experiência que, mais tarde, viria a influenciar as suas escolhas pessoais e profissionais. “Trabalhava e estudava ao mesmo tempo, sempre com o objetivo de construir um futuro melhor”, declarou, acrescentando que esse percurso lhe permitiu desenvolver uma consciência crítica sobre as dificuldades enfrentadas por muitos jovens cabo-verdianos.

Com efeito, Ferreira iniciou a sua vida laboral ainda jovem, tendo trabalhado no setor da segurança privada durante vários anos. Ao abordar essa fase, explicou que não se tratou apenas de um emprego, mas de uma escola de vida. Referiu ainda que começou como vigilante e, com o tempo, assumiu funções de maior responsabilidade, chegando a coordenar equipas na região de Santiago Norte. Essa progressão, segundo afirmou, resultou de dedicação, disciplina e vontade de superação, valores que considera essenciais também na vida política.

Paralelamente ao trabalho, investiu na sua formação académica, frequentando a Universidade de Santiago, onde se licenciou em Relações Públicas e Comunicação Empresarial, licenciando em Direito e empresário. Para o candidato, essa combinação entre experiência prática e conhecimento teórico constitui uma mais-valia, uma vez que lhe permite compreender, de forma integrada, os desafios sociais, económicos e institucionais do país. Assim, sustenta que a política deve ser exercida com competência técnica, mas também com sensibilidade social.

Apesar de reconhecer que a sua entrada formal na política é recente, Adimilson Ferreira rejeita a ideia de inexperiência, afirmando que o seu envolvimento cívico e comunitário antecede a filiação partidária. Filiado no PTS em 2025, explica que a decisão foi tomada após um período de reflexão e diálogo com diferentes atores políticos. Nesse sentido, considera que encontrou no partido uma plataforma aberta à participação e à valorização de novas ideias. “É preciso colocar pessoas com visão nos lugares de decisão”, afirmou, defendendo que a renovação política não deve ser apenas geracional, mas também estrutural.

De forma crítica, o candidato aponta falhas no funcionamento do sistema político cabo-verdiano, argumentando que, em muitos casos, as decisões são tomadas com base em interesses partidários ou pessoais, em detrimento do interesse coletivo. Assim, defende a necessidade de reforçar a transparência, o respeito pelas normas institucionais e a responsabilidade dos titulares de cargos públicos.

Pois, “a política deve servir as pessoas e não grupos restritos”, sublinhando que a confiança dos cidadãos só será recuperada através de práticas concretas e coerentes.

Essa crítica ganha particular relevância quando aborda a realidade de Santiago Norte, região que considera sistematicamente negligenciada. Segundo Adimilson, a ausência de investimentos estruturantes tem contribuído para o agravamento das desigualdades e para a falta de oportunidades, especialmente entre os jovens. “Nunca tivemos projetos estruturantes que realmente transformem a economia local”, declarou, insistindo que é necessário inverter essa tendência com políticas públicas eficazes e orientadas para resultados.

Neste contexto, identifica como prioridades estratégicas a agricultura, a pesca, o turismo rural e o desporto, setores que, na sua perspetiva, possuem elevado potencial de desenvolvimento. Contudo, alerta que esse potencial continua por explorar devido à falta de infraestruturas adequadas e de políticas de apoio consistentes. Assim, defende a construção de sistemas de irrigação eficientes, o reforço das barragens, a criação de infraestruturas de apoio à pesca e o acesso facilitado ao financiamento para jovens empreendedores.

Ao mesmo tempo, sublinha que a ausência dessas condições tem levado muitos jovens a procurar oportunidades no exterior, fenómeno que considera preocupante. Em discurso indireto, explicou que a emigração, embora faça parte da história cabo-verdiana, não pode continuar a ser a única alternativa para a juventude. Pelo contrário, defende que o país deve criar condições para fixar os jovens, valorizando as suas competências e incentivando a inovação. Nesse sentido, argumenta que o desenvolvimento sustentável passa, inevitavelmente, pela valorização do capital humano.

Para além da dimensão económica, o candidato atribui grande importância à cultura e ao desporto, considerando-os pilares fundamentais para a coesão social e a afirmação identitária. Assim, defende o investimento em infraestruturas desportivas, programas de formação e iniciativas culturais que promovam o talento local. Ao referir exemplos de figuras oriundas de Santiago Norte que se destacaram a nível nacional e internacional, sustenta que a região possui um enorme potencial que precisa de ser reconhecido e apoiado.

Paralelamente, reforça a necessidade de uma maior descentralização do poder, defendendo que as regiões devem ter mais autonomia e recursos para responder às suas especificidades. Nesse sentido, argumenta que a proximidade com as populações é essencial para a eficácia das políticas públicas, uma vez que permite identificar melhor os problemas e encontrar soluções adequadas. Assim, considera que a sua candidatura representa uma oportunidade para dar voz às comunidades que, até agora, têm sido pouco representadas.

No que diz respeito à sua visão para o futuro, Adimilson Ferreira afirma acreditar num Cabo Verde mais justo, inclusivo e equilibrado, onde todos os cidadãos tenham acesso a oportunidades e possam participar ativamente na vida política. Para tal, defende uma nova cultura política, baseada no diálogo, na transparência e na responsabilidade.

“Queremos mostrar que é possível fazer política de forma diferente”, sublinhando que a mudança começa com a atitude e o compromisso de cada cidadão.

Relativamente às eleições legislativas, o candidato demonstra confiança, mas também prudência, reconhecendo que o processo eleitoral constitui um momento decisivo para o país. Assim, afirma que o seu principal objetivo é conquistar a confiança dos eleitores e garantir representação parlamentar para defender os interesses de Santiago Norte. Ao mesmo tempo, alerta para os riscos da abstenção, considerando que a participação cívica é fundamental para o fortalecimento da democracia.

Por fim, Adimilson Ferreira deixa uma mensagem clara e direta aos eleitores, apelando a uma escolha consciente e informada. “A política deve servir as pessoas”, reiterou, insistindo que Cabo Verde precisa de representantes comprometidos com soluções concretas e com o bem-estar coletivo.

Dessa forma, conclui que a sua candidatura não é apenas uma ambição pessoal, mas sim um projeto coletivo, orientado para a construção de um futuro mais justo, mais inclusivo e mais sustentável para todos os cabo-verdianos.

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