Para assinalar o Dia Mundial do Cancro, a Direção Nacional da Saúde de Cabo Verde realizou um fórum sob o lema “Juntos, é possível”, no âmbito da campanha “Unidos pelo Único”. O evento destacou os avanços nas estratégias de registo da doença, consolidando o papel do país como membro da African Cancer Registry Network (AFCRN).
Durante o fórum, especialistas apresentaram o Registo Oncológico de Cabo Verde, ferramenta essencial na formulação de políticas eficazes. Os dados revelam um aumento de 516 novos casos de cancro em 2023, um acréscimo de 81 casos em relação a 2022, evidenciando a importância do acompanhamento epidemiológico.
A Diretora Nacional da Saúde, Ângela Gomes, ressaltou a necessidade de mais investimentos no diagnóstico precoce e destacou a urgência da implementação de um serviço de radioterapia no país. “Precisamos fortalecer nossa capacidade diagnóstica e terapêutica para garantir um tratamento eficaz e acessível a todos os cabo-verdianos”, afirmou.
A coordenadora de Prevenção e Controlo das Doenças Oncológicas, Carla Barbosa, sublinhou os avanços obtidos, como a implementação do registo oncológico de base populacional e a introdução da vacina contra o HPV no programa alargado de vacinação. “Estamos a dar passos importantes na prevenção e rastreio, mas ainda enfrentamos desafios quanto à sustentabilidade dos programas e à mudança de comportamentos da população”, declarou.
O Governo tem garantido cuidados integrais aos pacientes, desde o diagnóstico ao tratamento curativo e cuidados paliativos. Em 2024, Cabo Verde avançou com a implementação do projeto GeneXpert HPV, um método inovador baseado na tecnologia PCR para rastreio do cancro do colo do útero, tuberculose, COVID-19 e HIV. Além disso, a criação do Pólo de Oncologia em São Vicente busca melhorar o acesso ao tratamento e reduzir custos.
Para reduzir o impacto da doença oncológica, especialistas recomendam um estilo de vida saudável, adesão à vacinação contra o HPV, realização de consultas regulares e participação ativa nos rastreios. “A prevenção é o melhor caminho para diminuir os casos de cancro e garantir uma melhor qualidade de vida para a população”, concluiu Carla Barbosa.
Anícia Cabral – Correspondente