O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou ter alcançado um acordo técnico com Cabo Verde no âmbito da oitava avaliação da Facilidade de Crédito Alargado (ECF) e da quarta avaliação do Mecanismo de Resiliência e Sustentabilidade (RSF), reconhecendo o desempenho positivo da economia cabo-verdiana ao longo de 2025.
Segundo o FMI, a economia de Cabo Verde registou um crescimento real de 6,3% no último ano, impulsionado sobretudo pelo turismo em níveis recorde, pelo consumo privado resiliente e pelo aumento do investimento público. O organismo destacou ainda a redução da inflação para 2,3%, o excedente da balança corrente e o reforço das reservas internacionais, que atingiram um máximo histórico de 1.070 milhões de euros.
O acordo técnico, que ainda necessita de aprovação formal do Conselho de Administração do FMI, permitirá ao país receber novos desembolsos financeiros. Cabo Verde poderá beneficiar de cerca de 3,26 milhões de dólares ao abrigo da ECF e até 7,25 milhões de dólares no âmbito do RSF, destinados ao apoio económico e à resiliência climática.
O FMI elogiou o cumprimento de todos os critérios quantitativos previstos no programa económico, bem como os avanços nas reformas estruturais, incluindo medidas para modernizar a gestão das finanças públicas e reforçar o setor bancário. O organismo destacou também progressos em áreas ligadas à sustentabilidade, como o desenvolvimento de mecanismos climáticos para o setor financeiro e a expansão do registo social único.
Apesar do cenário positivo, o FMI alertou para riscos associados à guerra no Médio Oriente e à volatilidade dos preços internacionais da energia e dos alimentos. O organismo considera que Cabo Verde continua vulnerável a choques externos devido à forte dependência das importações e do turismo, defendendo a manutenção de políticas orçamentais prudentes e o avanço contínuo das reformas económicas.
Entre as prioridades identificadas estão ainda a redução da dívida pública, o reforço da resiliência climática e a melhoria da conectividade interilhas. O FMI sublinhou que o país dispõe atualmente de reservas e margem orçamental suficientes para enfrentar impactos de curto prazo, mas advertiu que um agravamento prolongado da situação internacional exigiria ajustamentos económicos mais firmes.