Numa Boa Vista marcada pelo crescimento acelerado do turismo, mas também por desafios sociais cada vez mais visíveis, Marizia Rosângela Brito Lima Oliveira, conhecida politicamente por Marizia Lima ou Isa, em entrevista ao Jornal E-Global, apresenta-se ao eleitorado com um discurso centrado na proximidade, na responsabilidade e no compromisso com as comunidades. Candidata do PAICV, e atual presidente da Assembleia Municipal da Boa Vista garante que quer ser “uma voz ativa da ilha” e lutar para que o desenvolvimento económico beneficie realmente toda a população.
Natural de Sal Rei, Marizia Lima, de 44 anos, fala da Boa Vista com a segurança de quem conhece profundamente a realidade local. Filha de Abel Silva Lima e de Inácia Brito Lima, recorda uma infância simples, vivida entre dificuldades e valores familiares sólidos. Ainda jovem, viu-se obrigada a deixar a ilha para continuar os estudos, numa altura em que a Boa Vista não possuía ensino secundário.
Segundo explicou, a família decidiu mudar-se para São Vicente para manter os irmãos unidos e garantir melhores condições de formação. Apesar disso, nunca perdeu a ligação à terra natal. As férias escolares eram sempre passadas na Boa Vista, relação que, segundo afirma, fortaleceu ainda mais o seu sentimento de pertença e o conhecimento das dificuldades enfrentadas pelas comunidades locais.
“Conheço a realidade da Boa Vista porque cresci aqui, tanto em Sal Rei como em João Galego. Conheço as preocupações das famílias, dos jovens, das mulheres, dos agricultores e dos trabalhadores”, afirmou a candidata, reforçando a ideia de proximidade que procura transmitir ao longo da campanha.
A formação superior foi concluída em Portugal, onde se licenciou em Contabilidade e Administração de Empresas pelo Instituto Politécnico do Porto. Após regressar a Cabo Verde, em 2006, iniciou o seu percurso profissional em empresas ligadas ao setor da construção civil e da contabilidade, experiência que considera fundamental para compreender os desafios económicos e sociais do país.
Atualmente empresária e sócia da empresa SCAE Lda, Marizia Lima afirma que o contacto diário com o setor privado lhe permitiu perceber melhor as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores, pelas pequenas empresas e pelos jovens que procuram oportunidades no mercado de trabalho.
Contudo, foi através da política que decidiu aprofundar o seu compromisso com a ilha. A candidata explica que escolheu o PAICV por acreditar nos princípios defendidos pelo partido, nomeadamente na justiça social, na inclusão e na igualdade de oportunidades. “O PAICV sempre teve uma visão de proximidade com as pessoas e de compromisso com as comunidades. Identifico-me com uma política centrada nas pessoas e na procura de soluções concretas”, declarou.
O envolvimento político ganhou maior dimensão em 2024, quando foi convidada pelo partido para concorrer à presidência da Assembleia Municipal da Boa Vista. A vitória tornou-a a primeira mulher a assumir o cargo na ilha, conquista que considera simbólica não apenas para si, mas também para todas as mulheres da ” Boa Vista “.
Segundo afirmou, o seu percurso político foi construído “com trabalho, dedicação e espírito de missão”, sempre ouvindo as preocupações da população e procurando fortalecer o diálogo com as comunidades.
Agora, enquanto cabeça de lista do PAICV na Boa Vista, Marizia Lima assume uma nova responsabilidade. A candidata garante que pretende defender os interesses da ilha com seriedade e compromisso, apostando numa política orientada para resultados concretos.
Ao analisar os principais problemas enfrentados pela Boa Vista, destacou o desemprego jovem, o elevado custo de vida, as dificuldades no acesso à água, à saúde, à habitação e ao saneamento. Apesar do crescimento económico impulsionado pelo turismo, considera que muitas famílias continuam sem sentir melhorias reais nas suas condições de vida.
“É fundamental garantir que o crescimento da Boa Vista beneficie toda a população e não apenas alguns setores”, afirmou, defendendo um desenvolvimento mais equilibrado e inclusivo. Para a candidata, a ilha não pode depender exclusivamente do turismo. Embora reconheça a importância do setor para a economia local, acredita que é necessário diversificar as áreas de investimento, criando novas oportunidades de rendimento e emprego.
Nesse sentido, defende uma aposta mais forte na agricultura, na economia azul, na formação profissional e na valorização dos produtos locais. Uma das propostas centrais da candidatura é a criação de um centro de transformação e certificação de produtos locais, medida que, segundo explicou, permitirá aumentar o rendimento dos produtores e fortalecer a economia da ilha.
Paralelamente, defende a continuidade da construção de diques, melhorias nas infraestruturas agrícolas e uma gestão mais eficiente da água, considerada um dos maiores desafios da Boa Vista. “A água continua a ser uma preocupação séria para muitas comunidades. Precisamos de soluções sustentáveis que garantam apoio à agricultura e melhores condições de vida para as famílias”, sublinhou.
Na área da saúde, Marizia Lima promete lutar por melhores condições para os postos de saúde e maior capacidade de resposta dos serviços públicos. Já no setor do emprego, aposta na capacitação profissional dos jovens e no incentivo ao empreendedorismo. Segundo afirmou, o objetivo é criar uma Boa Vista onde os jovens tenham oportunidades reais e onde o desenvolvimento económico se traduza em mais dignidade para as famílias.
A candidata defende ainda um reforço das políticas sociais, sobretudo nas áreas da habitação, saneamento e infraestruturas comunitárias. Em discurso indireto, afirmou que muitas comunidades continuam afastadas de serviços essenciais e que cabe ao Estado garantir maior equilíbrio no acesso às oportunidades.
No plano político, Marizia Lima assume um discurso firme em defesa da transparência e da boa governação. “Os cidadãos têm o direito de saber como os recursos públicos estão a ser utilizados”, declarou, acrescentando que a confiança nas instituições depende da ética, da responsabilidade e da prestação de contas.
Ao longo da campanha, garante ter sentido uma forte recetividade da população às propostas apresentadas pelo PAICV. Segundo explicou, o contacto direto com as comunidades demonstra que existe uma vontade crescente de mudança e de maior proximidade entre os eleitos e os cidadãos. Ainda assim, afirma encarar o processo eleitoral com humildade e sentido de responsabilidade. “Estamos a trabalhar ouvindo as pessoas, compreendendo os seus problemas e construindo soluções em conjunto”, disse.
Na mensagem final, Marizia Lima deixou um apelo direto aos eleitores da Boa Vista, reforçando a necessidade de união e confiança. “Acredito profundamente no potencial da nossa ilha e de Cabo Verde. Juntos podemos construir um futuro melhor, com mais oportunidades, mais justiça social e mais dignidade para as famílias”, afirmou.
A candidata terminou reafirmando o compromisso de continuar próxima das comunidades e de defender uma Boa Vista mais inclusiva, sustentável e preparada para enfrentar os desafios do futuro.
Assim, Marizia Lima entra na corrida eleitoral apresentando-se como uma candidata de proximidade, determinada a transformar o crescimento económico da Boa Vista em benefícios concretos para toda a população e a garantir que nenhuma comunidade fique para trás.