O PAICV responsabilizou diretamente o governo cabo-verdiano pela deterioração alarmante do sistema de saúde no país, apontando falhas graves na gestão da epidemia de dengue e denunciando as condições precárias nos hospitais. A deputada Paula Moeda, membro da Comissão Política Nacional, criticou duramente a resposta do governo à crise de saúde pública e destacou o “caos” que tomou conta dos serviços de saúde, prejudicando gravemente a população.
Durante uma declaração à imprensa, Moeda afirmou que, apesar da recente declaração de estado de contingência, Cabo Verde já registou mais de 6.000 casos de dengue em 11 meses, com suspeitas de que o número real seja muito maior devido à falta de registos adequados. “O governo falhou rotundamente na prevenção e no combate à dengue. O atraso nas medidas preventivas e a falta de recursos agravaram a situação, que agora está fora de controlo”, afirmou a deputada. Ela acrescentou que o país carece de materiais básicos para o combate à doença, como testes de diagnóstico e equipamentos para pulverização, essenciais para a luta anti-vetorial.
A deputada também denunciou as péssimas condições das infraestruturas hospitalares, em particular o Hospital Agostinho Neto, onde, segundo ela, “o bloco operatório está literalmente a cair aos pedaços”. Pacientes que passam por cirurgias estão sujeitos a infeções, enquanto as condições de trabalho dos profissionais de saúde continuam a deteriorar-se. “Os trabalhadores da saúde estão desmotivados, sem recursos adequados e, em muitos casos, com salários em atraso”, frisou Moeda.
Um dos episódios mais revoltantes mencionados foi o desaparecimento do corpo de um bebé prematuro no Hospital Agostinho Neto, após 70 dias de internamento. “É de uma gravidade inqualificável. A família, que já sofreu a perda de dois bebés, enfrenta ainda o desaparecimento do corpo de um deles, sem respostas ou explicações adequadas por parte das autoridades de saúde”, lamentou a deputada. Ela criticou a reação do governo, acusando-o de “normalizar o absurdo” ao prometer inquéritos que nunca resultam em ações concretas ou soluções reais. “A família está destroçada e sem qualquer apoio do governo”, acrescentou.
Moeda sublinhou que o Serviço Nacional de Saúde de Cabo Verde já não responde às necessidades da população. O país, que antes se orgulhava de um sistema de saúde eficaz, vê agora um retrocesso alarmante na qualidade dos cuidados prestados. “O governo falhou na sua missão de garantir a saúde pública, e a insatisfação dos cabo-verdianos não para de crescer”, afirmou, referindo-se à ausência da Ministra da Saúde em momentos críticos e à falta de liderança no combate à crise.
“O PAICV exige uma intervenção urgente e enérgica do governo para restaurar a confiança no sistema de saúde”, declarou Moeda. Ela apelou para que o governo mobilize mais recursos, implemente ações de combate à dengue de forma eficaz e garanta melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde. “A vida dos cabo-verdianos não pode ser sacrificada desta forma”, concluiu, reforçando que é necessário um novo rumo para evitar a degradação completa do sistema de saúde.
A deputada expressou ainda solidariedade com a família do bebé Vítor, que continua à espera de reaver o corpo do filho desaparecido, exigindo justiça para a família e dignidade para todas as vítimas da crise de saúde que afeta o país.
Anícia Cabral – Correspondente