Cabo Verde: Paulo Veiga promete devolver o MpD aos militantes e critica Governo pela distância entre promessas e decisões

Novo presidente do MpD defende uma oposição firme e responsável, questiona as opções orçamentais do Executivo e anuncia a criação do Senado do partido, presidido por Carlos Veiga.

O presidente do Movimento para a Democracia, MpD, Paulo Veiga, prometeu devolver o partido aos militantes e reforçar a sua presença nas comunidades, ao mesmo tempo que criticou as primeiras opções do Governo, considerando preocupante a distância entre as promessas eleitorais e as decisões governativas. No discurso proferido durante a XIV Convenção Nacional do partido, realizada de 9 a 11 de outubro, na Assembleia Nacional, na Praia, o dirigente defendeu uma organização mais participativa, anunciou a criação do Senado do MpD e garantiu que a sua liderança será marcada pela fiscalização, pela transparência e pela apresentação de alternativas para Cabo Verde.

“Hoje não estamos a encerrar a nossa Convenção. Estamos a começar um novo ciclo para Cabo Verde”, declarou Paulo Veiga, ao sublinhar que a responsabilidade do partido não termina com o encerramento dos trabalhos, mas começa com o regresso dos militantes às comunidades, aos locais de trabalho e às suas responsabilidades públicas.

O novo líder do MpD considerou que os primeiros 100 dias do atual ciclo governativo já permitem analisar as prioridades do Executivo e confrontar os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral com as medidas adotadas. Entre as principais preocupações, destacou o aumento dos combustíveis, o peso das despesas públicas e a redução prevista do investimento público.

“Não pedimos ao Governo que faça milagres. Pedimos que apresente respostas proporcionais às dificuldades que as pessoas estão a enfrentar”, afirmou, defendendo medidas concretas de apoio às famílias vulneráveis, aos transportes públicos e à proteção dos bens essenciais.

Para Paulo Veiga, o aumento dos combustíveis ultrapassa a questão do preço praticado nas bombas, afetando diretamente o orçamento das famílias, os custos de transporte e a atividade económica. O dirigente lembrou que as consequências se fazem sentir na vida dos taxistas, dos pescadores e dos cidadãos que dependem dos transportes para trabalhar e assegurar o sustento das suas famílias.

Embora tenha reconhecido as medidas anunciadas para limitar o aumento do gás butano, considerou que a resposta continua aquém da dimensão das dificuldades. Na sua perspetiva, cabe ao Governo apresentar soluções proporcionais aos problemas e esclarecer como serão financiadas as medidas sociais anunciadas.

MpD questiona prioridades do Orçamento do Estado

No domínio das finanças públicas, Paulo Veiga questionou a evolução das despesas com o pessoal e do investimento público apresentada nas diretrizes do Orçamento do Estado para 2027. Segundo os números citados no discurso, entre 2025 e 2027, as despesas com o pessoal passam de 25,4 para 36,5 mil milhões de escudos, enquanto o investimento público diminui de 13,2 para 8,3 mil milhões de escudos.

O presidente do MpD ressalvou que os valores dizem respeito a anos de governação diferentes e exigem uma análise rigorosa das causas, mas considerou necessário esclarecer como essa evolução se concilia com a promessa eleitoral de reduzir o peso do Estado e tornar a Administração Pública mais eficiente.

“Não estamos a defender cortes indiscriminados nos salários dos funcionários públicos”, esclareceu, acrescentando que os trabalhadores merecem remuneração justa e condições dignas. Para o dirigente, a questão central consiste em perceber se o país está a construir um Estado mais eficiente ou a aumentar a despesa corrente em detrimento dos recursos necessários ao investimento.

Paulo Veiga manifestou igualmente preocupação com as reduções previstas nas dotações de programas ligados à sustentabilidade energética, à transformação digital e à agricultura. Considerou que estes setores são fundamentais para diminuir a dependência externa, reforçar a produção nacional e criar oportunidades de emprego qualificado.

O dirigente dirigiu ainda um apelo ao primeiro-ministro, defendendo que a discussão orçamental deve ser acompanhada de respostas claras sobre os custos das medidas sociais, as fontes de financiamento, os investimentos a executar e os resultados esperados.

Apesar das críticas, garantiu que o MpD não será uma oposição interessada no insucesso do Governo. “Queremos que Cabo Verde tenha sucesso”, afirmou, assegurando que o partido fiscalizará as decisões do Executivo, exigirá transparência na utilização dos recursos públicos e apresentará alternativas sempre que considerar existirem caminhos melhores.

Carlos Veiga vai presidir ao Senado do MpD

A renovação interna foi outra das prioridades anunciadas por Paulo Veiga durante a Convenção. O presidente do MpD reafirmou o compromisso de devolver poder às estruturas locais, reforçar a democracia interna, valorizar os militantes e abrir espaço a novas lideranças.

Entre as medidas anunciadas, destacou a criação do Senado do Movimento para a Democracia, um órgão consultivo constituído por 45 personalidades, destinado a preservar a memória, os valores e a experiência de figuras que contribuíram para a história do partido. Carlos Veiga, fundador e primeiro presidente do MpD, foi anunciado como o primeiro presidente do novo órgão.

“A história do MpD vale muito mais do que uma vitrina no museu”, afirmou Paulo Veiga, defendendo que o legado do partido deve permanecer vivo e ao serviço das novas gerações.

O dirigente anunciou igualmente que a Comissão Política Nacional irá criar gabinetes de apoio às estruturas, uma escola de formação política denominada José Filomeno Monteiro e funções de secretários executivos adjuntos, com o objetivo de alargar a participação dos militantes e reforçar a capacidade de intervenção da organização.

A aposta na juventude e na participação feminina foi igualmente destacada. Paulo Veiga defendeu que o partido deve proporcionar oportunidades a quem pretende contribuir para a vida política e para o desenvolvimento do país, sem limitar a participação dos jovens à perspetiva de um futuro distante.

Direção Nacional promete maior fiscalização e proximidade às bases

Na sua intervenção, a presidente da Mesa da Convenção e da Direção Nacional eleita destacou a importância da renovação partidária, da participação das mulheres e dos jovens e da aproximação entre os órgãos nacionais e as estruturas locais.

A dirigente, cuja identificação nominal não consta da transcrição fornecida, considerou que o MpD não pode limitar-se a celebrar a sua história, devendo demonstrar a mesma coragem dos fundadores para enfrentar os desafios atuais.

“Em 1990, essa coragem significou abrir as portas à democracia e, em 2026, significa abrir as portas do partido a uma nova geração, a novas ideias e a uma nova forma de participação”, afirmou.

A responsável defendeu ainda que a nova Direção Nacional deve ajudar Paulo Veiga a concretizar o compromisso de devolver o partido aos militantes, às estruturas locais, às mulheres e à juventude. Para isso, considerou indispensável mobilizar recursos e garantir o funcionamento efetivo das estruturas.

A dirigente anunciou também uma atuação mais exigente no acompanhamento da gestão partidária, incluindo a fiscalização dos relatórios de contas, da execução dos orçamentos e da utilização dos recursos disponibilizados às estruturas locais.

Segundo explicou, os resultados deverão ser mensuráveis, permitindo avaliar o número de novos militantes inscritos, os cartões distribuídos, os encontros realizados e as visitas promovidas pelo partido.

A responsável apelou igualmente ao regresso dos militantes que se afastaram e à recuperação do espírito de voluntariado, defendendo que a participação partidária deve assentar na dedicação, na responsabilidade e no compromisso com Cabo Verde.

Renovação política com os olhos postos nas próximas eleições

Ao longo do discurso, Paulo Veiga defendeu que o MpD precisa de reconquistar a confiança dos cabo-verdianos, tanto no país como na diáspora, através de uma maior proximidade com as comunidades e de respostas concretas às preocupações dos cidadãos.

O dirigente apontou a necessidade de uma economia mais produtiva, de um Estado mais eficiente, de uma política energética capaz de reduzir a dependência externa e de uma aposta na agricultura, nas pescas, na educação, na ciência e nas novas tecnologias.

A valorização da diáspora e a criação de oportunidades para os jovens também foram apresentadas como prioridades para o desenvolvimento nacional.

Paulo Veiga apelou à mobilização dos militantes para os próximos desafios eleitorais, mencionando as eleições presidenciais, as autárquicas previstas para o final de 2028 ou início de 2029 e as legislativas de 2031.

A Convenção ficou marcada pela eleição dos novos órgãos nacionais, pela aprovação de orientações para o próximo ciclo político e pelo compromisso de reforçar a participação interna. No encerramento, o presidente do MpD apelou à união dos militantes e à abertura do partido ao diálogo e ao regresso daqueles que se afastaram.

“Não podemos pedir confiança aos cabo-verdianos sem demonstrar primeiro que somos dignos dela”, declarou, defendendo que o futuro da organização depende da capacidade de ouvir mais, trabalhar melhor e colocar o interesse nacional acima dos interesses pessoais.

MpD promete abrir portas a novas lideranças e reforçar controlo interno na era Paulo Veiga

Nova direção assume compromisso de devolver poder às bases, fiscalizar as contas do partido e criar o Senado do MpD, enquanto o novo presidente apela à união para reconquistar a confiança dos cabo-verdianos.

O Movimento para a Democracia, MpD, prepara-se para uma nova etapa política, com a promessa de reforçar a participação dos militantes, abrir espaço a novas lideranças e tornar mais rigorosa a fiscalização interna. As orientações foram apresentadas durante a XIV Convenção Nacional, realizada de 9 a 11 de outubro, na Praia, onde Paulo Veiga assumiu a presidência do partido e anunciou medidas destinadas a reorganizar as estruturas e preparar a formação política das novas gerações.

Na sua intervenção, o novo presidente defendeu que a renovação do MpD não deve limitar-se à mudança de dirigentes, mas traduzir-se numa maior capacidade de ouvir os militantes, acompanhar as comunidades e transformar decisões em resultados concretos.

“Não podemos pedir confiança aos cabo-verdianos sem demonstrar primeiro que somos dignos dela”, afirmou Paulo Veiga, ao estabelecer a reconquista da confiança pública como uma das responsabilidades centrais da nova liderança.

Entre as medidas anunciadas está a criação do Senado do Movimento para a Democracia, um órgão consultivo constituído por 45 personalidades, destinado a preservar a memória, os valores e a experiência de figuras ligadas à história do partido. Carlos Veiga, fundador e primeiro presidente do MpD, foi anunciado como presidente do novo órgão.

Paulo Veiga justificou a iniciativa com a necessidade de aproximar a experiência acumulada pelo partido dos desafios que se colocam às novas gerações. “A história do MpD vale muito mais do que uma vitrina no museu”, declarou, defendendo que o legado da organização deve continuar presente e ao serviço do futuro.

A reorganização prevê igualmente a criação de gabinetes de apoio às estruturas, de uma escola de formação política denominada José Filomeno Monteiro e de funções de secretários executivos adjuntos, medidas que, segundo o presidente, deverão alargar a participação e reforçar a capacidade de intervenção do partido.

Nova direção quer fiscalizar contas e avaliar resultados

A exigência de maior responsabilidade na gestão interna foi também destacada pela presidente da Mesa da Convenção e da Direção Nacional eleita. Na sua intervenção, a dirigente defendeu que a nova estrutura deve acompanhar de forma efetiva a atividade partidária, fiscalizar os relatórios de contas e exigir uma execução adequada dos orçamentos.

A responsável afirmou que a Direção Nacional pretende avaliar resultados concretos, incluindo o número de novos militantes inscritos, os cartões distribuídos, os encontros realizados e as visitas promovidas pelas estruturas.

A dirigente defendeu ainda que os recursos disponibilizados ao partido devem traduzir-se em maior dinamismo e proximidade com os militantes. Nesse sentido, garantiu que a nova direção não se limitará a aprovar instrumentos de gestão, assumindo também a responsabilidade de fiscalizar a sua execução.

A participação das mulheres e dos jovens foi outra das prioridades assinaladas. A dirigente considerou que o MpD precisa de abrir espaço a novas ideias e formas de participação, recordando que a coragem demonstrada na abertura democrática de 1990 deve, no presente, traduzir-se na capacidade de renovar o próprio partido.

Paulo Veiga partilhou essa preocupação, afirmando que os jovens não devem continuar a ser encarados apenas como o futuro da organização. “Eles são o presente”, declarou, defendendo que devem participar nas decisões que determinam o rumo do partido e do país.

Regresso às bases como prioridade política

A aproximação às estruturas locais constitui outro dos compromissos assumidos pela nova liderança. Paulo Veiga defendeu que o MpD deve reforçar a presença nas comunidades, valorizar as concelhias e recuperar a ligação com os militantes que se afastaram da organização.

O presidente considerou que as divergências internas não devem transformar-se num afastamento permanente do partido, apelando ao diálogo e ao regresso dos que deixaram de participar ativamente na vida partidária.

A nova direção pretende também alargar a estrutura do MpD na diáspora, aumentar o número de militantes e reforçar o contacto com os cabo-verdianos residentes no estrangeiro.

Para Paulo Veiga, a renovação partidária exige uma organização capaz de ouvir, partilhar responsabilidades e criar oportunidades de participação. A sua intervenção apontou, assim, para uma liderança que pretende combinar a experiência dos antigos dirigentes com a energia de novos quadros.

Oposição promete fiscalização do Governo

A reorganização interna surge num contexto em que o MpD pretende afirmar o seu papel de oposição ao atual Governo. No discurso de encerramento, Paulo Veiga criticou a distância que considera existir entre as promessas eleitorais do Executivo e as primeiras decisões governativas, apontando o aumento dos combustíveis e as opções orçamentais como motivos de preocupação.

O dirigente questionou a evolução das despesas com o pessoal e do investimento público, bem como as reduções previstas nas dotações de programas relacionados com a sustentabilidade energética, a transformação digital e a agricultura.

Apesar das críticas, assegurou que o MpD não pretende desejar o fracasso do Governo. “Queremos que Cabo Verde tenha sucesso”, afirmou, garantindo que o partido fiscalizará as decisões do Executivo, exigirá transparência na utilização dos recursos públicos e apresentará alternativas quando considerar que existem soluções melhores.

Paulo Veiga defendeu ainda que o país precisa de uma economia mais produtiva, de um Estado mais eficiente e de maiores oportunidades para os jovens, apontando a educação, a ciência, as novas tecnologias, a agricultura, as pescas e a valorização da diáspora como áreas importantes para o desenvolvimento nacional.

Ao terminar a Convenção, o presidente apelou à mobilização dos militantes para os próximos desafios eleitorais, incluindo as eleições presidenciais, as autárquicas previstas para o final de 2028 ou início de 2029 e as legislativas de 2031.

A nova etapa do MpD fica, assim, marcada por três compromissos anunciados pela liderança: reforçar a participação interna, aumentar o rigor na gestão partidária e recuperar a confiança dos cabo-verdianos através de uma presença mais próxima das comunidades e de uma atuação política orientada para resultados.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

Cabo Verde e Fundo Saudita para o Desenvolvimento preparam novo pacote de financiamento

Cabo Verde e o Fundo Saudita para o...

0

Cabo Verde: Governo pede à OIT continuidade do apoio técnico ao país

A ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e...

0

Cabo Verde e AIEA reforçam cooperação científica e segurança radiológica

O Governo de Cabo Verde e a Agência...

0