Cabo Verde: Primeiro-Ministro fala ao país após chuvas extremas e detalha impactos e respostas em Santiago Norte

O Primeiro-Ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, dirigiu-se hoje ao país para avaliar os efeitos das chuvas torrenciais que atingiram, nos dias 13 e 14 de novembro, os concelhos de Tarrafal, São Miguel, Santa Cruz e Santa Catarina. Na sua intervenção, afirmou que o arquipélago viveu “mais um evento climático extremo”, desta vez em pleno mês de novembro, numa altura em que normalmente não chove. Segundo disse, o fenómeno confirma “o aumento da frequência” de situações meteorológicas severas associadas às alterações climáticas.

Ulisses Correia e Silva explicou que as chuvas provocaram uma morte, fortes enxurradas e destruição significativa de infraestruturas públicas e privadas, incluindo estradas, sistemas de drenagem, construções, propriedades agrícolas e pecuárias. “Pude constatar pessoalmente o estado em que ficaram propriedades e infraestruturas”, afirmou, relatando perdas elevadas nos terrenos de produção, na pecuária e em áreas urbanas. Perante a gravidade da situação, o Governo declarou de imediato a situação de calamidade e ativou o Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros para as primeiras respostas de emergência.

O chefe do Governo destacou que equipas dos ministérios das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação e da Agricultura e Ambiente já estão no terreno, em conjunto com as câmaras municipais, a fazer o levantamento dos danos. Indicou que esta avaliação é essencial para orientar a reconstrução e a proteção económica das famílias afetadas. Uma análise preliminar aponta para impactos severos na agricultura e pecuária, habitações danificadas e veículos sinistrados, além da destruição de diques, reservatórios e sistemas de irrigação.

Na mesma comunicação, o Primeiro-Ministro apresentou as medidas decididas pelo Governo. Entre elas, referiu a atribuição de um rendimento solidário de emergência por três meses para compensar perdas de rendimento; apoios financeiros destinados à retoma da atividade económica, sobretudo nas áreas agrícola e pecuária; bonificação de juros e garantias do Estado em financiamentos para recuperação; e apoios específicos a proprietários de viaturas destruídas pelas cheias. Anunciou ainda a preparação de um programa de investimentos para reabilitação e reconstrução de infraestruturas. Para financiar as intervenções imediatas, o Governo irá recorrer ao Fundo Nacional de Emergência e ao Fundo Soberano de Emergência, avançando igualmente com mobilização de apoio internacional.

Antes da intervenção do Primeiro-Ministro, o ministro da Administração Interna fez o enquadramento técnico da situação. Explicou que os quatro municípios de Santiago Norte registaram níveis de chuva acima da média da ilha e do país, com localidades como João Dias, Mato Baixo, São Miguel e Santa Cruz a ultrapassarem os 270 a 281 milímetros de precipitação. Segundo afirmou, valores acima dos 250 milímetros já são considerados “chuva muito forte ou torrencial”, o que ajuda a justificar a dimensão dos estragos. As imagens apresentadas pelo Governo mostram estradas destruídas, diques levados pela água, poços e tubagens arrastados, equipamentos urbanos danificados e uma habitação em situação de risco iminente.

O ministro relatou que a prioridade inicial foi garantir acessibilidade entre os municípios, uma vez que várias vias ficaram intransitáveis. Em menos de 48 horas, todas as estradas principais foram reabertas graças ao trabalho conjunto das câmaras municipais e da proteção civil. Sublinhou, porém, que os danos continuam a ser contabilizados e que ainda não existem valores finais para os prejuízos registados.

O ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Correia Carvalho Silva, afirmou ainda que todas as autoridades estão cientes das condições meteorológicas e que medidas preventivas estão a ser preparadas, especialmente nas zonas que ficaram mais vulneráveis. Disse que haverá uma atualização mais detalhada ainda hoje, mas garantiu que os serviços estão mobilizados para proteger infraestruturas e habitações em risco.

O Primeiro-Ministro deixou uma mensagem de solidariedade às comunidades afetadas e lembrou que, apesar dos prejuízos, a chuva trouxe também recarga para as ribeiras e água para a agricultura e pecuária. Defendeu que Cabo Verde precisa reforçar o acesso ao financiamento internacional para adaptação climática, afirmando que fenómenos desta natureza exigem recursos excecionais. Encerrou com um compromisso: “Estamos no terreno e vamos continuar no terreno. Queremos recuperar e repor a normalidade em Santiago Norte.”

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

Cabo Verde: Ministro da Educação reforça parceria com organizações internacionais

O Ministro da Educação, Amadeu Cruz, reuniu-se esta...

0

Cabo Verde: PAICV critica golpe de Estado na Guiné-Bissau

O presidente do Partido Africano da Independência de...

0

Cabo Verde: Morre José Filomeno Monteiro, ex-ministro e figura central da diplomacia cabo-verdiana

José Filomeno de Carvalho Dias Monteiro, antigo Ministro...

0