O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, repudiou o discurso “incendiário” do presidente do partido português Chega, André Ventura, acerca da morte do cabo-verdiano Odair Moniz em Portugal.
“Repudiamos veementemente os discursos incendiários proferidos por certos atores políticos. Destaco em particular as declarações do presidente do Chega, que foram absolutamente irresponsáveis”, criticou, citado pela “Inforpress”.
Segundo o governante, Ventura “fez uma declaração a todo o tipo incendiário numa realidade que cria muitas emoções e que pode provocar reações ainda muito mais negativas”. Isto porque o visado manifestou-se contra a constituição como arguido do agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) que baleou Moniz e disse que deveria “agradecer-lhe pelo trabalho que fez de parar um criminoso”.
“Num momento tão delicado e ainda em fase de investigação, não se pode atirar culpas especialmente contra comunidades, imigrantes ou a imigração cabo-verdiana. É essencial aguardar pelo apuramento completo dos factos e confiar na investigação criminal”, acrescentou Correia e Silva.
O político apelou para que haja tranquilidade, de maneira a que o tumulto e as situações que se assistem nas televisões não criem um ambiente “ainda muito mais explosivo e incendiário”.
“Confiamos na justiça portuguesa e nas suas instituições. O processo está em fase de investigação criminal e esperamos que seja conduzido com a celeridade necessária e que haja a devida responsabilização, caso o apuramento dos factos assim o determine”, concluiu.
Recorde-se que Odair Moniz, de 43 anos, foi mortalmente baleado por um agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) na madrugada de segunda-feira, 21 de outubro, no bairro do Zambujal, na Amadora. O sucedido, que está em investigação criminal, tem provocado uma onda de manifestações em vários bairros de Lisboa e não só, com tumultos que duram há mais de três noites.