Cabo Verde: Produtores rurais denunciam abandono e pedem estratégia nacional contra pragas em São Miguel

A invasão de macacos e galinhas-do-mato em zonas agrícolas de São Miguel levou agricultores do interior de Santiago a sair às ruas para denunciar aquilo que consideram falta de resposta eficaz das autoridades e para exigir uma estratégia nacional de controlo das pragas que vêm devastando as colheitas e colocando em risco a subsistência das famílias rurais.

A manifestação, realizada no centro da cidade, juntou produtores de várias localidades do concelho e de outras áreas de Santiago Norte. Segundo os participantes, os ataques constantes dos animais têm provocado a destruição de culturas essenciais como cana-de-açúcar, mandioca, banana, papaia, feijão e congo, além de afetarem seriamente a mangueira, já fragilizada por doenças.

Firmino Afonso, agricultor e porta-voz do protesto, afirmou que a mobilização visa pressionar o Governo, o Ministério da Agricultura e Ambiente e as instituições de proteção animal a adotarem medidas concretas e urgentes. Para ele, a ausência de soluções práticas está a empurrar produtores para o abandono das terras. “Há zonas onde já não compensa plantar. Trabalha-se o ano inteiro e perde-se tudo”, declarou.

Para além dos prejuízos económicos, os agricultores alertam para impactos sociais, sobretudo entre idosos e crianças, e para a aproximação frequente dos animais às casas e pontos de recolha de água, aumentando o sentimento de insegurança nas comunidades.

Sem conseguirem ainda quantificar as perdas, os manifestantes garantem que estas superam largamente as capacidades financeiras das famílias que dependem exclusivamente da agricultura. Defendem, por isso, um plano integrado que inclua controlo das populações de animais, proteção das lavouras e compensações pelos danos sofridos.

Com o protesto, os produtores pretendem manter o tema na agenda pública e forçar uma resposta coordenada do Estado, alertando que, sem intervenção imediata, a produção agrícola em São Miguel e noutros municípios de Santiago Norte continuará em declínio.

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