“Cabo Verde regista média de 48 suicídios por ano — maioria entre jovens homens”

INSP e DNS assinalam Dia Mundial de Prevenção do Suicídio com chamada de atenção para saúde mental masculina

O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), em parceria com a Direção Nacional de Saúde (DNS), promoveu uma mesa-redonda com profissionais de saúde e representantes da sociedade civil para assinalar o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. O encontro, que contou com várias intervenções, destacou os desafios do país no combate a este flagelo e reforçou o apelo à prevenção.

Na abertura do evento, o administrador do INSP, Hélio Rocha, alertou para a gravidade do fenómeno. “O suicídio continua a ser um desafio persistente em Cabo Verde, e exige de nós uma resposta forte e articulada”, afirmou, lembrando que, entre 2020 e 2022, o país registou 49, 37 e 52 mortes por suicídio, maioritariamente do sexo masculino. Rocha acrescentou que o encontro está alinhado com a missão do INSP e visa sensibilizar a população sobre sinais de sofrimento psicológico e medidas de prevenção.

Em representação da Direção Nacional de Saúde, Yorleydis Rosabal destacou que “os dados atuais de suicídio em Cabo Verde nos interpelam a todos”. Referiu ainda políticas e programas já em vigor, como o Plano Estratégico para a Saúde Mental e a Prevenção do Suicídio, e sublinhou a importância de fortalecer laços familiares, combater o estigma e criar redes de apoio comunitário e institucional.

A sociedade civil também marcou presença, através do presidente da Associação A Ponte, José António dos Reis, que defendeu uma avaliação da implementação do Plano Estratégico de Saúde Mental e eventuais ajustes para alcançar melhores resultados.

Um dos momentos mais marcantes foi a apresentação da delegada de Saúde de Santa Catarina, Ludmila Miranda, que falou sobre a saúde mental masculina. “É urgente abordar a saúde mental dos homens em Cabo Verde, muitas vezes negligenciada devido a estereótipos que os levam a esconder emoções e vulnerabilidades”, alertou. Dados do estudo que apresentou mostram que o país regista, em média, 48 suicídios por ano, com maior incidência entre homens jovens, entre os 20 e os 49 anos.

A mesa-redonda contou ainda com intervenções das psicólogas Belmira Miranda, Ludmila Rodrigues e Kika Freire, além da própria delegada de Saúde, que abordaram fatores de risco, estratégias de prevenção, saúde mental e atenção psicossocial.

O evento terminou com recomendações de profissionais, decisores e comunidades, no sentido de reforçar a identificação precoce, melhorar a intervenção e mudar a narrativa em torno do suicídio, numa abordagem que ultrapasse o setor da saúde e envolva toda a sociedade.

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