Mais de mil casos confirmados e prováveis de infeções gastrointestinais, incluindo Shigelose e salmonelose, foram identificados em viajantes que regressaram de Cabo Verde para países da União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos, segundo uma atualização epidemiológica divulgada a 18 de março de 2026 pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).
As autoridades indicam que continuam a surgir novos casos, mantendo-se a preocupação com a evolução do surto. A origem da infeção ainda não foi determinada, mas os dados disponíveis apontam para a ingestão de alimentos ou água contaminados, especialmente na região de Santa Maria, na ilha do Sal. A maioria dos casos está associada a estadias na mesma rede hoteleira, sugerindo uma possível fonte persistente de contaminação. Testes laboratoriais identificaram sobretudo bactérias dos géneros Shigella e Salmonella, reforçando a hipótese de exposição contínua.
Entre setembro de 2022 e março de 2026, foram registados centenas de casos em vários países, nomeadamente: Bélgica (46), Chéquia (14), Dinamarca (45), Finlândia (9), França (67), Alemanha (92), Irlanda (2), Luxemburgo (19), Noruega (5), Polônia (1), Portugal (12), Suécia (120), Holanda (64), Reino Unido (263) e EUA (7).
Paralelamente, foram também reportadas mais de 300 infeções por outros agentes gastrointestinais, como campilobacteriose, giardíase e infeções por E. coli. As autoridades de saúde alertam que a Shigelose apresenta elevada capacidade de transmissão, podendo propagar-se facilmente através do contacto próximo, superfícies contaminadas ou manipulação de alimentos.
O ECDC considera que o risco de infeção para viajantes que visitam a região permanece moderado, enquanto a fonte não for identificada e controlada. A entidade recomenda medidas rigorosas de higiene, consumo de alimentos bem cozinhados e água engarrafada, além de atenção a sintomas como diarreia, febre ou dores abdominais. O surto está a ser monitorizado em articulação com a Organização Mundial da Saúde e as autoridades cabo-verdianas, podendo dar origem a novos casos nas próximas semanas.