Um novo estudo do Centro Internacional de Investigação sobre o Cancro (CIRC), sediado em Lyon e pertencente à Organização Mundial da Saúde (OMS), conclui que o consumo de álcool — mesmo moderado — está associado a um risco mais elevado de desenvolver sete tipos de cancro. O relatório, divulgado esta quarta-feira, sublinha que o álcool é “uma das principais causas evitáveis” da doença.
De acordo com o CIRC, o consumo de álcool é responsável por cerca de 4% de todos os novos casos de cancro registados anualmente no mundo, o que corresponde a cerca de 741 mil casos em 2020. Os tipos de cancro mais frequentemente associados ao consumo de álcool são o cancro do esófago, do fígado e da mama (nas mulheres). “Reduzir o consumo de álcool diminui o risco de cancro. Nenhuma quantidade de álcool é totalmente isenta de risco”, afirmou a investigadora Harriet Rumgay, do CIRC.
Apesar dos alertas, o consumo de álcool continua a aumentar em várias regiões do mundo, incluindo África Subsariana, América e Ásia do Sul, sendo a Europa a região com maior consumo per capita. No entanto, menos de metade dos europeus sabe que o álcool pode causar cancro, segundo o estudo.
O impacto económico também é significativo: em 2018, os óbitos por cancro relacionados com o álcool custaram à Europa cerca de 4,6 mil milhões de euros em perda de produtividade. O CIRC estima ainda que duplicar os impostos sobre o álcool poderia ter evitado 6% dos novos casos de cancro ligados ao seu consumo.