Guiné-Bissau: 2025 foi um ano triste para jornalistas guineenses

O bastonário da Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau qualificou 2025 como um ano particularmente difícil para a classe jornalística guineense, marcado por retrocessos e múltiplas ameaças à liberdade de imprensa.

António Nhaga fez esta avaliação esta quarta-feira (31.12), durante uma entrevista à CFM, no âmbito do balanço do final do ano. O responsável sindical enumerou uma série de violações de que foram vitimas os profissionais da comunicação social, incluindo agressões físicas, censura informativa por parte do atual regime militar, bem como práticas de “mando e desmando” nos órgãos de comunicação, sobretudo os do setor privado.

Na mesma intervenção, o decano da comunicação social alertou que silenciar os jornalistas representa “o fim da democracia pura”. Nesse sentido, criticou abertamente a postura do Comando Militar relativamente à difusão de notícias veiculadas por vozes críticas ao regime em vigor.

António Nhaga manifestou ainda preocupação com a proliferação de indivíduos que se apresentam como jornalistas sem formação adequada, munidos apenas de um telemóvel, ostentando um suposto estatuto profissional sem, muitas vezes, reunirem credibilidade ou rigor ético.

Apesar do cenário adverso, o bastonário apelou à classe jornalística para que continue empenhada na defesa e afirmação da democracia na Guiné-Bissau. Encorajou igualmente a nova geração de profissionais da comunicação social a exercer a profissão com isenção, transparência e compromisso com a divulgação de informação factual e credível.

Por fim, Nhaga recordou que, durante as recentes eleições gerais, jornalistas alinhados com interesses políticos interferiram no funcionamento de outros órgãos de comunicação digitais existentes no país, comprometendo a pluralidade informativa.

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