O panorama político guineense volta a ser palco de tensões com a recente investida de Botche Candé, líder do Partido dos Trabalhadores Guineenses (PTG), contra membros da facção do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15) liderada por Satu Camará, uma das principais forças da Plataforma Republicana Nô Kumpu Guiné, que apoiam a recandidatura do Presidente Umaro Sissoco Embaló.
As declarações de Candé, proferidas durante a reunião do Comité Central do PTG, este domingo, 29 de Junho, reflectem fragilidades na aliança que apoia o actual chefe de Estado.
Durante a reunião, Candé anunciou a não participação do PTG no encontro da Plataforma Republicana agendado para esta segunda-feira, 30 de Junho, justificando a decisão com “ingerência” nos assuntos internos do seu partido. O coordenador da aliança de partidos que apoiam a recandidatura de Sissoco Embaló, Botché Candé, não poupou críticas, acusando dirigentes do MADEM-G15 de “ostentação do erário público” em actividades políticas e partidárias.
As acusações ganharam contornos mais específicos quando o líder do PTG visou directamente o deputado do MADEM-G15, Alfucene Djaló, e o Secretário de Estado da Ordem Pública, José Carlos Macedo Monteiro. Segundo Candé, ambos estariam a tentar minar a liderança do PTG, que ele descreveu como um “partido soberano”.
“O senhor Macedo Monteiro não tem legitimidade para se imiscuir nos nossos processos internos”, afirmou Candé, sublinhando que o uso de fundos públicos para fins alheios constitui “um claro abuso de poder”.
Este episódio não é o primeiro sinal de “crispação” na Plataforma Republicana. Recorde-se que, aquando da constituição da aliança, já se registaram conflitos de liderança no momento da escolha das listas de candidatos a deputados. Esta nova desavença sublinha as fragilidades internas da coligação que visa sustentar um segundo mandato para o Presidente Sissoco Embaló, levantando questões sobre a estabilidade e a coesão do bloco.